Um repórter que foi atrás da receita, não da dieta
Michael Moss não é nutricionista nem médico. É repórter investigativo, do tipo que passa anos batendo em porta fechada até alguém falar. Antes de virar autor de livro, já tinha ganhado o Pulitzer por uma reportagem sobre carne moída contaminada, e foi esse faro de investigação que levou pra dentro da indústria de alimentos processados dos Estados Unidos.
O livro não nasceu de uma cruzada contra empresa nenhuma em especial. Nasceu de uma pergunta simples: por que um punhado de produtos parece tão difícil de comer só um pouco? A resposta não estava em livro de dieta, estava em laboratório, em ata de reunião e em depoimento de cientista e executivo que trabalharam décadas dentro dessas empresas.
Pra escrever, Moss entrevistou centenas de pessoas ao longo de quatro anos, muita gente já aposentada e livre pra falar sem medo de perder o emprego. O resultado é menos um livro de acusação solta e mais um relato de como decisão de negócio, tomada reunião após reunião, foi moldando o prato do americano médio, e por tabela, o prato de boa parte do mundo.
