O pãozinho que mudou sem aviso
A imagem do pão quentinho na padaria da esquina faz parte da rotina de qualquer brasileiro. No café da manhã antes do ônibus ou no lanche da tarde na firma, aquele pão francês na chapa com café pingado parece o alimento mais tradicional e inofensivo do cotidiano. A tese central do livro, no entanto, afirma que o cereal colhido no campo hoje pouco lembra a planta consumida no passado por nossos antepassados.
O autor sustenta que, na segunda metade do século vinte, a agricultura passou por intensa hibridização para multiplicar safras e conter a escassez de alimentos. Criaram-se variedades anãs, resistentes a pragas e de altíssimo rendimento por hectare, capazes de suportar adubos pesados. Segundo Davis, essa seleção agronômica alterou profundamente a estrutura das proteínas e dos amidos do grão sem que testes clínicos avaliassem o impacto biológico dessa mudança na saúde humana ao longo do tempo.
Como consequência, a farinha moderna carrega um perfil bioquímico diferente daquele consumido por gerações anteriores. Para o cardiologista, a população urbana passou a ingerir diariamente uma planta modificada, cujos efeitos no metabolismo vão muito além do mero acréscimo calórico no prato, exigindo uma reavaliação urgente dos hábitos mais corriqueiros.
