15 minutos
Capa do resumo de Respire: A Nova Ciência de uma Arte Perdida

Saúde · 15 min

Respire: A Nova Ciência de uma Arte Perdida

James Nestor · 2020

Para quem é

Pra quem sempre respirou sem pensar nisso e vive cansado, engasgado ou dormindo mal sem entender por quê. Respire é pra quem quer entender por que a forma de puxar o ar pode pesar tanto quanto a comida no prato ou a noite de sono.

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3 ideias pra levar

1

Os seios da face liberam óxido nítrico em quantidade relevante só quando o ar passa pelo nariz, e esse gás ajuda a dilatar vasos sanguíneos e a fazer o oxigênio circular melhor.

2

Esvaziar bem o pulmão antes de puxar o próximo ar troca mais ar velho por ar novo a cada ciclo, o que costuma pesar mais do que simplesmente inspirar fundo.

3

Segundo os estudos citados no livro, respirar perto de cinco segundos e meio pra cada lado, inspirando e expirando, é o ritmo que mais se aproxima de um estado de calma mensurável no corpo.

“
Dez dias respirando só pela boca bastaram pra pressão subir, o sono piorar e o ronco aparecer, segundo o experimento que Nestor fez em si mesmo com outro voluntário.
Uma ideia de Respire: A Nova Ciência de uma Arte Perdida, nas palavras do 15 minutos

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Um jornalista sem fôlego decide investigar a respiração

James Nestor não é médico nem cientista: é um jornalista que, depois do livro anterior sobre mergulho livre, percebeu que vivia ofegante, resfriado com frequência e cansado sem motivo aparente. Numa aula de respiração que fez por curiosidade, ouviu de um instrutor que quase ninguém respira do jeito certo, e saiu dali intrigado.

A pergunta que puxou o livro inteiro é simples: se respirar é a coisa mais básica que um corpo faz, por que ninguém aprende a fazer isso direito? Médicos tratam de pulmão, nariz e garganta separadamente, mas raramente olham a respiração como um hábito que se aprende e se corrige, do jeito que se aprende a comer melhor.

Pra responder, Nestor foi atrás de pesquisadores em Stanford, mergulhou em arquivos de crânios antigos, visitou praticantes de técnicas milenares e testou boa parte das descobertas no próprio corpo, incluindo o experimento mais desconfortável do livro, que abre a história.

Dez dias com o nariz tampado: o experimento em Stanford

O ponto de partida do livro é um experimento real, feito com o pesquisador Jayakar Nayak, da Universidade Stanford. Nestor e outro voluntário tiveram as narinas tampadas com silicone e fita, ficando dez dias respirando exclusivamente pela boca, dia e noite, enquanto aparelhos mediam pressão arterial, sono e níveis de gases no sangue.

O resultado dos primeiros dez dias foi ruim pros dois. A pressão subiu, o sono piorou, o ronco apareceu com força e a sensação geral era de cansaço, mesmo sem nenhuma doença nova. Respirar só pela boca, que muita gente faz sem perceber ao dormir, mostrou um custo mensurável em poucos dias.

Na etapa seguinte, com o nariz destampado, os dois passaram a respirar exclusivamente pelo nariz, incluindo técnicas específicas de ritmo e volume de ar. As medições começaram a melhorar: pressão mais baixa, sono mais estável, ronco reduzido. O experimento vira o fio condutor do livro porque mostra, em números, uma diferença que a maioria das pessoas nunca parou pra sentir.

Vale registrar que esse experimento envolveu só duas pessoas, o próprio Nestor e um voluntário. É um relato pessoal e vívido, útil pra ilustrar o argumento do livro, mas não substitui um estudo com centenas de participantes, o que a seção de crítica deste resumo retoma mais à frente.

O nariz não é só pra sentir cheiro

O nariz filtra partículas, aquece e umidifica o ar antes de chegar aos pulmões, função que a boca não faz. Respirar pela boca manda ar seco e sujo direto pra garganta, o que irrita as vias aéreas e facilita infecção.

Um detalhe menos conhecido é que os seios da face produzem óxido nítrico, um gás que ajuda a dilatar vasos sanguíneos e melhora a chegada de oxigênio no corpo. Esse gás só entra em quantidade relevante no organismo quando o ar passa pelo nariz, não pela boca.

Juntando os dois efeitos, filtragem e óxido nítrico, o livro defende que respirar pelo nariz, inclusive durante exercício físico, tende a render mais oxigênio aproveitado com menos esforço do que respirar pela boca, mesmo que pareça mais fácil abrir a boca quando falta ar.

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Sobre James Nestor

James Nestor é jornalista americano, com textos publicados em veículos como The New York Times, Outside e Scientific American. Antes de Respire, escreveu Deep, livro de 2014 sobre mergulho livre e os limites do corpo humano debaixo d'água. Em Respire, publicado em 2020, ele passou anos entrevistando pesquisadores, testando técnicas em si mesmo e cruzando ciência recente com práticas antigas de respiração. O livro virou best-seller internacional e ajudou a popularizar a respiração como hábito treinável.