Um bioquímico incomodado com os próprios dados
Antes de escrever sobre a China, Colin Campbell passou anos estudando desnutrição infantil nas Filipinas, nas décadas de 1960 e 1970. A pergunta era por que tantas crianças filipinas desenvolviam câncer de fígado, problema que a ciência da época associava à aflatoxina, toxina produzida por um fungo que contamina amendoim e milho guardados em local úmido.
O estranho é que, olhando os casos de perto, Campbell notou que quem desenvolvia o câncer não eram sempre as crianças mais pobres, e sim, com frequência, as de famílias um pouco mais abastadas, que comiam mais proteína animal. Isso contrariava o que ele tinha aprendido na faculdade, onde proteína animal era quase sinônimo de crescimento saudável.
Esse incômodo, um pesquisador vendo o próprio treinamento entrar em choque com os dados que ele mesmo coletava, é o ponto de partida real do livro, e veio de anos de dúvida acumulada, não de uma virada de opinião súbita.
