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Capa do resumo de Mortais: Nós, a Medicina e o que Realmente Importa no Final

Saúde · 15 min

Mortais: Nós, a Medicina e o que Realmente Importa no Final

Atul Gawande · 2014

Para quem é

Pra você que tem um pai, mãe ou avô envelhecendo e não sabe como conversar sobre isso, ou pra quem já teve que decidir por um parente doente e sentiu que faltou informação. Mortais ajuda a entender o que realmente está em jogo quando o corpo começa a falhar e a medicina não tem mais cura pra oferecer.

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3 ideias pra levar

1

Envelhecer não é um evento único, é um processo lento de perdas pequenas que se acumulam, e a medicina tradicional é treinada pra tratar crises agudas, não esse desgaste contínuo.

2

Uma casa de repouso pode até deixar todo mundo seguro fisicamente e ainda assim matar de tédio e solidão quem mora ali; segurança sozinha não é motivo pra viver.

3

Perguntar o que a pessoa mais teme e o que ela não abre mão, mesmo doente, muda completamente o tipo de cuidado que a família decide dar depois.

“
Para Gawande, a moradia assistida nasceu pra devolver ao idoso a chave da própria porta, e em muitos lugares acabou virando só outro nome pra hospital.
Uma ideia de Mortais: Nós, a Medicina e o que Realmente Importa no Final, nas palavras do 15 minutos

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Um cirurgião que não sabia lidar com o fim

Atul Gawande é cirurgião, treinado a vida inteira pra lutar contra doença e adiar a morte o quanto desse. Só que, em algum momento da carreira, ele percebeu que boa parte dos pacientes chegava numa fase em que não havia mais nada pra consertar, e ali a formação médica simplesmente não ensinava o que fazer.

Mortais nasce dessa lacuna. Não é um livro sobre morrer, é um livro sobre como viver bem até o fim, mesmo quando o corpo já não responde a tratamento nenhum. O gatilho pessoal veio de perto: o próprio pai do autor, também cirurgião, foi diagnosticado com uma doença grave enquanto o livro estava sendo escrito, história que aparece inteira no fim deste resumo.

O pano de fundo é um fato relativamente novo: hoje as pessoas passam décadas a mais vivendo com alguma limitação crônica antes de morrer, algo raro há um século. O livro pergunta o que fazer com esses anos extras, já que viver mais não é a mesma coisa que viver bem.

Como a família cuidava dos velhos antes de existir asilo

Durante boa parte da história, em várias culturas, incluindo a família indiana do próprio autor, os idosos viviam dentro de casa com os filhos e mantinham autoridade sobre a própria vida até morrer, cercados por várias gerações debaixo do mesmo teto.

Nos Estados Unidos e em boa parte do Ocidente, esse arranjo mudou com a urbanização e a valorização da vida independente. O livro chama isso de eu independente: o ideal de viver sozinho, sem depender dos filhos, até onde o corpo aguentar.

O problema é que ninguém aguenta pra sempre, e é a mesma dúvida que qualquer família brasileira enfrenta quando o pai começa a esquecer o portão destrancado ou insiste em dirigir mesmo depois de bater o carro duas vezes: ninguém decidiu direito o que fazer quando a independência acaba.

O corpo desmorona aos poucos, não de uma vez

O corpo não desmorona de uma vez, desmorona aos poucos: os ossos perdem densidade, os dentes se desgastam, as artérias enrijecem, a memória fica mais devagar, e os músculos encolhem num processo que os médicos chamam de sarcopenia. Não existe um dia marcado em que a velhice chega, é uma soma de perdas pequenas que vão se acumulando ano após ano.

O geriatra Felix Silverstone, citado no livro, estudou esse processo a vida inteira e mostrou que cuidar bem de um idoso não é tratar uma doença de cada vez: é olhar o conjunto todo, equilíbrio, quantidade de remédio tomado, apetite, qualidade do sono.

O livro cita estudos em que uma avaliação geriátrica completa, mais simples e mais barata que muita cirurgia, reduzia quedas e internações. Ainda assim, essa especialidade é pouco valorizada e mal remunerada, então poucos médicos novos escolhem seguir por ela.

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Sobre Atul Gawande

Atul Gawande é cirurgião americano, filho de médicos indianos que imigraram pros Estados Unidos. É professor na Harvard Medical School e na Harvard TH Chan School of Public Health, e escreve regularmente como colunista pra revista The New Yorker. Atua também como cirurgião no Brigham and Women's Hospital, em Boston, ao lado da carreira acadêmica e da escrita. Além de Mortais, é autor de Checklist, sobre como listas de verificação simples reduzem erros médicos graves.