Um livro pequeno que tentou explicar um país inteiro
Raízes do Brasil saiu em 1936, no auge de uma geração de escritores que tentava entender o Brasil recém-saído da Revolução de 1930, quando o país trocava o poder dos estados por um governo mais centralizado. O livro saiu pela editora José Olympio, na coleção Documentos Brasileiros, ao lado de outros clássicos que tentavam o mesmo projeto: explicar a formação social do país.
Diferente de outros clássicos da mesma geração, que usam fartura de detalhe sobre a vida na fazenda colonial, Sérgio Buarque escreve um ensaio curto e denso, quase um argumento filosófico. Ele revisou o texto em 1948 e de novo em 1956, corrigindo trechos e acrescentando nota, prova de que via o próprio livro como um trabalho em construção, não uma verdade fechada.
A tese central pode ser resumida assim: o Brasil herdou de Portugal um jeito de organizar a vida em sociedade apoiado mais na pessoa e no afeto do que em regra e cargo impessoal, e essa herança segue moldando como brasileiro lida com autoridade, com o Estado e uns com os outros.
