A ilusão de que a democracia se defende sozinha
Muita gente acorda cedo para pegar a condução lotada, bate o ponto na firma e imagina que a Constituição funciona no piloto automático contra retrocessos. O estudo das crises do século vinte mostra o contrário: sociedades organizadas caíram diante da tirania em meses quando a população baixou a guarda.
Timothy Snyder chama isso de crença na inevitabilidade, a ilusão de que o mercado e as eleições trazem uma proteção mágica contra o arbítrio. O fascismo e o totalitarismo avançaram aproveitando a apatia de maiorias silenciosas que achavam exagero se preocupar com as primeiras medidas autoritárias.
A democracia não roda sozinha; ela depende da vigilância de pessoas comuns. Quando o trabalhador terceiriza a defesa das regras ou acha que a política nada tem a ver com o preço da comida e o seu salário, abre caminho para projetos autoritários tomarem o Estado.
