O cafezinho na estação e o mistério do preço alto
Quem passa pela estação da Sé em São Paulo ou pela Central do Brasil no Rio nota o preço salgado do café expresso no balcão da saída. É o mesmo café que a padaria da esquina vende barato, mas na correria matinal todo mundo paga sem reclamar. A explicação popular culpa a ganância do comerciante, mas a economia revela outro motivo.
O segredo está na escassez do ponto comercial. Milhares de trabalhadores cruzam aquele corredor todas as manhãs, e não há espaço físico para abrir dezenas de quiosques concorrentes. O consumidor aceita pagar mais pela conveniência imediata de não desviar da rota até o trabalho.
Só que o dono da cafeteria não tem poder de barganha frente ao proprietário do imóvel. Quando o contrato vence, o locador eleva o aluguel para capturar o lucro gerado pelo movimento. Se o comerciante recusar, outro assume o local na hora. Quem lucra com a fila matinal é a raridade do chão, não o café.
