O mito do mercado totalmente livre
Ouve-se com frequência que a economia prospera melhor quando o governo sai de cena e deixa a oferta e a procura agirem sem amarras. A tese central do livro desconstrói essa premissa: não existe mercado totalmente desregulamentado em lugar algum. Toda feira, loja ou bolsa de valores funciona amparada por regras prévias que definem quem pode negociar, quais mercadorias são permitidas e quais limites devem ser respeitados.
Pense no trabalho infantil. No século dezenove, quando fábricas inglesas foram impedidas de empregar crianças em jornadas pesadas, industriais acusaram o Estado de violar a liberdade contratual. Hoje, ninguém considera essa proibição abusiva. Nós apenas nos acostumamos com a fronteira moral desenhada pela legislação.
No Brasil, vemos o mesmo embate no debate sobre salário mínimo, regulação de aplicativos ou vigilância sanitária. Quem defende o livre mercado raramente quer a ausência de regras; na maioria das vezes, quer apenas manter as normas que favorecem seu próprio lucro. Todo mercado resulta de escolhas políticas prévias.
