15 minutos
Capa do resumo de Psicologia das Multidões

Economia e sociedade · 15 min

Psicologia das Multidões

Gustave Le Bon · 1895

Para quem é

Pra você que já se viu empolgado numa torcida, assustado com um boato no grupo da família ou curioso sobre como a opinião de muita gente junta vira força. O livro é um clássico de 1895 que inaugurou o estudo do comportamento coletivo, lido hoje com olhos críticos.

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3 ideias pra levar

1

Para Le Bon, o anonimato dá a impressão de que ninguém vai responder pelo que o grupo faz, e isso solta freios que a pessoa sozinha teria.

2

Uma história com imagem forte viaja mais rápido do que uma explicação cuidadosa e cheia de ressalvas.

3

Segundo o livro, o líder de multidão convence menos por argumento e mais por firmeza, repetição e prestígio.

“
O mesmo grupo que depreda um ponto de ônibus pode se organizar pra socorrer um desconhecido, porque a multidão amplifica o que já estava no ar.
Uma ideia de Psicologia das Multidões, nas palavras do 15 minutos

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Um médico assustado com as ruas de Paris

Gustave Le Bon escreveu o livro no fim do século 19, numa Europa que via as cidades crescerem, os sindicatos se organizarem, os jornais de massa se multiplicarem e as revoltas populares abalarem governos. A lembrança da Comuna de Paris, de 1871, ainda estava fresca para os franceses.

Para ele, o mundo entrava na era das multidões, em que a opinião de grandes grupos passaria a pesar mais que a dos governantes. A pergunta que o move é prática: como se comporta uma pessoa quando está no meio de muita gente, e como alguém pode lidar com esse fenômeno?

O livro foi um sucesso mundial e virou leitura obrigatória de políticos, publicitários e estudiosos. Mas é preciso lê-lo com cuidado: é um texto de opinião, escrito com muito preconceito de classe e de época.

O que é uma multidão psicológica

A primeira ideia do livro é que multidão não é qualquer ajuntamento. Cem pessoas esperando o ônibus não formam uma multidão no sentido do autor. Ele fala de grupo em que as pessoas, sob uma emoção ou objetivo comum, passam a agir de um modo que não agiriam sozinhas.

Nesse estado, segundo Le Bon, a personalidade consciente de cada um se apaga e surge uma espécie de alma coletiva. O indivíduo passa a sentir, pensar e agir de forma diferente da que teria isolado, e a multidão assume uma identidade própria, que não é a simples soma das partes.

Pense numa final de campeonato no estádio. Gente tranquila, que no dia a dia não levanta a voz, canta, xinga e chora junto com milhares de desconhecidos. É esse tipo de transformação que o autor tenta explicar.

Anonimato e sensação de poder

O autor aponta três mecanismos que ajudariam a explicar a mudança. O primeiro é o anonimato: no meio de muita gente, o indivíduo sente que ninguém sabe quem ele é e que a responsabilidade se dilui. Ele ganha uma sensação de força que o ajuda a ceder a instintos que reprimiria sozinho.

É o cenário de um quebra-quebra depois de um jogo, ou de comentários agressivos de gente que jamais falaria assim na vida real. A distância e a sensação de não ser identificado soltam o freio, em especial quando o grupo parece estar do mesmo lado.

A psicologia social posterior retomou essa ideia sob o nome de desindividuação, com resultados mistos. Há situações em que o anonimato aumenta a agressividade, e outras em que o grupo reforça normas positivas. O livro apresenta só o primeiro lado.

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Sobre Gustave Le Bon

Gustave Le Bon nasceu na França em 1841 e se formou em medicina. Interessou-se por antropologia, arqueologia e física, e viajou por vários países da Europa, da Ásia e do norte da África. Escreveu sobre a civilização dos árabes e sobre a psicologia dos povos, até fazer sucesso com a obra sobre as multidões. Morreu em 1931, aos 90 anos.

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