15 minutos
Capa do resumo de O Cérebro XX: A Ciência da Saúde Cerebral Feminina

Saúde · 15 min

O Cérebro XX: A Ciência da Saúde Cerebral Feminina

Lisa Mosconi · 2020

Para quem é

Pra mulheres que se preocupam com memória, menopausa e Alzheimer, e para quem convive com mães e avós nessa fase. O livro explica por que o cérebro feminino tem particularidades e o que dá para fazer em cada idade.

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3 ideias pra levar

1

Segundo o livro, as alterações do Alzheimer podem começar décadas antes dos primeiros sintomas, o que dá peso à prevenção na meia-idade.

2

Para a autora, ter uma variante genética de risco não é sentença, e hábitos saudáveis ajudam a reduzir o risco.

3

O livro defende que a pesquisa médica excluiu mulheres por muito tempo, deixando lacunas que só agora começam a ser preenchidas.

“
O cérebro também passa por mudanças em cada fase hormonal da mulher, e entender isso tira a culpa do esquecimento.
Uma ideia de O Cérebro XX: A Ciência da Saúde Cerebral Feminina, nas palavras do 15 minutos

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Duas mulheres para cada homem com Alzheimer

Lisa Mosconi abre o livro com um dado que a incomodava como pesquisadora: dois terços das pessoas com doença de Alzheimer são mulheres. Durante muito tempo, a explicação foi simples demais: mulheres vivem mais, então desenvolvem mais demência. Para a autora, essa resposta é incompleta, porque a idade sozinha não explica a diferença tão grande entre os sexos.

A pergunta que guia o livro é o que há no cérebro feminino, em sua biologia e em suas fases hormonais, que o torna mais vulnerável. Mosconi, que dirige um centro de pesquisa sobre o assunto, passou anos analisando exames de imagem de mulheres e homens para entender onde começam as diferenças.

O livro mistura ciência, histórias de pacientes e orientações práticas. A mensagem é dupla: o cérebro da mulher tem particularidades pouco estudadas e há muito que se pode fazer, ao longo da vida, para protegê-lo.

É importante lembrar que o livro não diz que mulheres têm cérebro pior. Diz que o cérebro feminino é diferente, em ciclos e em riscos, e que a medicina por muito tempo estudou sobretudo homens e depois aplicou os resultados às mulheres como se fossem iguais. Reconhecer a diferença é condição para cuidar melhor.

Um cérebro construído por hormônios

A autora explica que o cérebro feminino é moldado por hormônios, principalmente o estrogênio, desde a puberdade. Esse hormônio atua em áreas ligadas à memória, ao humor e ao uso de energia pelas células nervosas, e ajuda a manter conexões entre elas.

Por isso, as grandes transições da vida hormonal da mulher, como a puberdade, a gravidez, o pós-parto e a menopausa, são também transições do cérebro. Em cada uma, há reorganização de circuitos e de gasto de energia, o que pode trazer sintomas como alterações de humor, esquecimentos e sono ruim.

Mosconi quer desfazer a ideia de que esses sintomas são frescura. São respostas de um órgão em mudança, e entendê-las diminui o medo e abre caminho para cuidados adequados.

Na vida real, isso aparece na conversa de comadres: aquela vizinha que não lembra onde deixou a chave durante a gestação, a prima que fica irritada e sem sono antes da menstruação, a tia que se sente confusa nos primeiros anos de menopausa. O que era visto como fraqueza ganha, nas pesquisas, uma explicação biológica.

Por que o Alzheimer começa tão cedo

Um ponto central é que o Alzheimer não surge de repente aos setenta anos. As alterações cerebrais começam duas ou três décadas antes dos sintomas, em silêncio. Exames de imagem mostram sinais de redução do metabolismo e acúmulo de proteínas anormais muito antes de a pessoa notar falhas de memória.

Isso muda a perspectiva sobre prevenção. Se as mudanças começam na meia-idade, é nessa fase, e não depois, que vale cuidar da saúde do cérebro. Por isso, a faixa dos quarenta aos sessenta anos, que coincide com a transição da menopausa, merece atenção especial.

A boa notícia é que parte do risco está ligada a fatores sobre os quais podemos agir, como pressão alta, diabetes, sedentarismo, sono e alimentação. A má notícia é que nem tudo é controlável, e a genética também pesa.

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Sobre Lisa Mosconi

Lisa Mosconi é neurocientista, nascida na Itália e radicada nos Estados Unidos, que trabalha na Weill Cornell Medicine, em Nova York. Dirige uma iniciativa de pesquisa sobre o cérebro das mulheres e a prevenção do Alzheimer. É formada em medicina nuclear e usa exames de imagem em seus estudos. The XX Brain foi publicado em 2020.

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Categoria:
Saúde
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