Uma menina e as células que viraram remédio
O livro abre com a história de Emily Whitehead, uma menina americana de seis anos com leucemia que não respondia à quimioterapia. Em 2012, ela foi a primeira criança a receber uma terapia experimental em que células de defesa do próprio corpo são retiradas, modificadas em laboratório e devolvidas ao sangue para combater o câncer.
O que chama a atenção é que o remédio, ali, não era uma molécula de farmácia. Era um conjunto de células vivas, tratadas como se fossem um medicamento. Emily passou por um quadro gravíssimo logo depois da infusão, mas se recuperou, e a doença entrou em remissão.
Mukherjee usa o caso como porta de entrada para a tese do livro: a medicina está entrando numa fase em que a célula, e não só a substância química, vira instrumento de tratamento. Para entender isso, é preciso voltar à pergunta mais básica de todas: o que é uma célula?
