15 minutos
Capa do resumo de Memórias de um Sargento de Milícias

Ficção · 15 min

Memórias de um Sargento de Milícias

Manuel Antônio de Almeida · 1854

Para quem é

Pra quem já ouviu falar de Memórias de um Sargento de Milícias mas nunca leu, e quer conhecer o livro que ajudou a criar o malandro como personagem central da literatura brasileira. Serve também pra quem curte história de gente comum do Rio antigo, sem palácio nem guerra, cheia de esperteza, favor e sorte.

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3 ideias pra levar

1

No romance, o recrutamento forçado no exército funciona como castigo disfarçado de serviço militar: rapaz pobre sem sobrenome importante virava soldado por decisão de Vidigal, sem processo nem escolha própria.

2

Segundo estudiosos do livro, Leonardo transita entre desordem e ordem sem pagar o preço completo por nenhuma das duas, um traço que ajudou a criar a figura do malandro na literatura brasileira.

3

O Rio de Janeiro retratado no livro era uma cidade de maioria escravizada, mas Memórias de um Sargento de Milícias quase não coloca essa realidade em cena, um vazio que pesa sobre o retrato de costumes que o livro se propõe a fazer.

“
No romance, os pais do herói não trocam juras de amor: uma pisadela e um beliscão trocados a bordo do navio bastam pra começar a relação que gera Leonardo.
Uma ideia de Memórias de um Sargento de Milícias, nas palavras do 15 minutos

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Antes de começar: o que você vai encontrar aqui

Este resumo conta a história inteira de Memórias de um Sargento de Milícias, do nascimento de Leonardo até o casamento que fecha o livro, incluindo o final. Quem ainda quer ler sem saber o desfecho deve guardar este resumo pra depois: a ideia aqui é entender o que Manuel Antônio de Almeida mostra sobre a vida popular do Rio de Janeiro antigo.

O livro nasceu em capítulos no jornal Correio Mercantil, entre 1852 e 1853, assinado apenas como Um Brasileiro, um pseudônimo que escondia o nome do autor, e só depois virou livro, em 1854 e 1855. É ficção: personagens e enredo são invenção literária, mas o Rio de Janeiro do tempo em que Dom João VI e a corte portuguesa viviam na cidade era realidade concreta.

É livro de domínio público, e este resumo não copia frase do autor: é análise nossa, contando o enredo com nossas próprias palavras. O romance também trata de prisão e de recrutamento forçado pro exército, partes que não vamos pular nem tratar como piada fácil.

O Rio de Janeiro do tempo do rei

A história se passa no início do século 19, quando a família real portuguesa fugiu de Napoleão e desembarcou no Rio de Janeiro, transformando uma cidade colonial pequena na sede provisória do reino de Portugal. É desse Rio do tempo do rei, com Dom João VI ainda no trono, que vem o clima do livro inteiro.

Enquanto a corte trazia baile e etiqueta europeia pra um punhado de gente rica, a maior parte da cidade seguia vivendo de outro jeito: festa de rua, missa, comércio miúdo, vizinhança que sabia da vida de todo mundo. É nesse Rio popular que Manuel Antônio de Almeida decide contar sua história.

O romance evita o tom solene de outros livros da época, presos às regras do Romantismo, cheio de herói idealizado e amor impossível. Prefere seguir gente comum, meirinho, parteira, barbeiro, sacristão, mostrando a vida real da cidade por baixo da vida oficial.

Uma pisadela e um beliscão: como Leonardo nasce

O protagonista nasce de um jeito quase acidental. Seus pais, Leonardo-Pataca e Maria da Hortaliça, se conhecem durante a travessia de navio de Portugal pro Brasil, num começo sem drama de romance: uma pisadela e um beliscão trocados entre os dois, ainda a bordo, já bastam pra começar tudo.

Não tem carta de amor nem promessa solene: o livro descreve o início da relação dos pais do herói como algo trivial, mais parecido com uma cantada de rua do que com um romance de folhetim comum. É um jeito de rir, de leve, do próprio gênero romântico que dominava a literatura da época.

Já em terra, nasce o menino Leonardo, que dá nome ao livro e carrega o mesmo primeiro nome do pai, o que causa confusão de propósito ao longo da história: quando o livro fala em Leonardo, é preciso adivinhar pelo contexto se é o pai ou o filho.

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Sobre Manuel Antônio de Almeida

Manuel Antônio de Almeida nasceu no Rio de Janeiro em 1831 e morreu ainda jovem, em 1861, num naufrágio no mar. Trabalhou como tipógrafo e jornalista no Correio Mercantil, onde publicou Memórias de um Sargento de Milícias em capítulos, entre 1852 e 1853, assinando apenas como Um Brasileiro. Depois de deixar o jornal, exerceu cargo ligado à imprensa oficial do Império. É considerado hoje um dos criadores da figura do malandro na literatura brasileira, num tempo em que o país ainda vivia sob domínio do Romantismo.