15 minutos
Capa do resumo de O Retrato de Dorian Gray

Ficção · 15 min

O Retrato de Dorian Gray

Oscar Wilde · 1890

Para quem é

Pra quem gosta de um clássico com clima gótico e quer entender por que essa história sobre vaidade e juventude eterna ainda é citada mais de cem anos depois. Serve também pra quem já ouviu falar do retrato que envelhece no lugar do dono e quer conhecer a história completa por trás dessa imagem.

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3 ideias pra levar

1

No livro, a primeira mudança na expressão do quadro aparece antes de qualquer punição visível: a consciência registra o dano na hora, mesmo quando a vida segue igual por fora.

2

Matar Basil não é o primeiro erro de Dorian na história: é a consequência de anos negando pequenos erros anteriores que ele já tinha decidido não sentir mais.

3

Segundo o livro, o gesto final de bondade de Dorian nasce mais da vontade de se ver como alguém bom do que de mudança real, e é perceber essa vaidade escondida que o leva a atacar o próprio retrato.

“
No romance, Dorian troca um pedido feito por vaidade, que o retrato envelheça no lugar dele, pela vida inteira que vem depois disso.
Uma ideia de O Retrato de Dorian Gray, nas palavras do 15 minutos

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Basil Hallward pinta um retrato e teme o que ele revela

Basil Hallward é um pintor em Londres que encontra, numa festa, o rapaz mais bonito que já viu: Dorian Gray, jovem, rico de herança recente e ainda sem malícia nenhuma no rosto. Basil fica obcecado por ele e pinta o melhor quadro da carreira, um retrato de corpo inteiro que parece capturar mais do que a aparência de Dorian.

O pintor tem medo de expor o quadro em público, porque sente que colocou ali dentro sentimentos demais em relação ao modelo, quase como se a tela revelasse a própria alma dele, Basil, mais do que a de Dorian. Mesmo assim, apresenta o rapaz ao amigo Lord Henry Wotton, contra a própria vontade, com receio da influência que ele pode ter sobre alguém tão jovem e impressionável.

Lord Henry Wotton e o evangelho do prazer

Lord Henry é um aristocrata cínico que adora provocar com frases curtas e afiadas, verdadeiros epigramas que soam mais definitivos do que realmente são. Ele defende uma vida guiada pela sensação e pela beleza, sem culpa moral pesando em cima: viver plenamente, segundo ele, é a única coisa que vale a pena.

Essa forma de viver só pelo prazer e pela beleza, sem se prender a dever ou consequência, é um tipo de hedonismo que Lord Henry personifica dentro do romance, próximo do esteticismo que o próprio Oscar Wilde defendia fora dele, a ideia de que a arte e a vida deveriam se guiar pela sensação, não pela moral.

Enquanto Dorian posa pra Basil, Henry fica ao lado conversando com ele e planta uma ideia simples e devastadora: a juventude e a beleza são as únicas coisas que realmente importam, porque somem rápido demais. Dorian, até ali ingênuo, escuta aquilo como quem escuta uma verdade que sempre soube mas nunca tinha ouvido em voz alta.

O desejo perigoso: que o quadro envelheça no meu lugar

Quando o retrato fica pronto, Dorian se vê pela primeira vez como os outros o veem: espantosamente bonito. Ao mesmo tempo, percebe algo doloroso, a beleza que ele tem agora é efêmera, vai murchar com o tempo, enquanto aquela tela vai guardar essa mesma juventude pra sempre, intacta.

Tomado por uma vaidade repentina, Dorian faz em voz alta um desejo que parece brincadeira: que o quadro envelhecesse no lugar dele, que ele pudesse continuar jovem enquanto a tela carregasse o peso dos anos. Basil, magoado com a reação do amigo diante do próprio presente, chega a oferecer destruir a tela, mas Dorian não deixa e leva o quadro pra casa.

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Sobre Oscar Wilde

Oscar Wilde (1854-1900) foi um escritor, dramaturgo e poeta irlandês, uma das figuras mais brilhantes e polêmicas da literatura de língua inglesa do fim do século dezenove. Formado em Oxford, ficou famoso pelo humor afiado, por peças de teatro como A Importância de Ser Prudente e pelo romance O Retrato de Dorian Gray, publicado primeiro em revista em 1890 e ampliado em livro no ano seguinte. Em 1895, num julgamento que chocou a Inglaterra vitoriana, foi condenado e preso por manter relações homossexuais, crime pela legislação da época, saiu da prisão com a saúde arruinada e morreu pobre em Paris, em 1900. O prefácio que escreveu pra edição em livro de Dorian Gray, defendendo a arte livre de julgamento moral, foi em parte uma resposta às acusações de imoralidade que o romance sofreu logo na publicação.

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Categoria:
Ficção