Uma família que não devia existir
Fiódor Pávlovitch Karamázov é um proprietário de terras que enriqueceu emprestando dinheiro e sabe tirar proveito de qualquer situação. O livro o descreve como um bufão: ele ri da própria desonra, humilha quem está por perto e trata mulher, filho e vizinho como recurso a ser usado. A devassidão dele não é um deslize, é um jeito de viver assumido sem vergonha nenhuma.
Ele teve três filhos com duas mulheres diferentes e nunca criou nenhum deles direito: Dmítri, o mais velho, ficou largado com parentes; Ivan e Aliócha, do segundo casamento, cresceram longe do pai depois que a mãe morreu ainda jovem. Corre também o boato de que Smerdiákov, o criado que cozinha pra ele, é filho de Fiódor Pávlovitch com uma mulher muda e sem-teto da cidade.
Quando adultos, os quatro voltam a girar em torno da mesma casa, cada um carregando uma parte do que vai explodir a família: dinheiro que falta, uma mulher que dois deles querem, uma cabeça cheia de ideias perigosas e uma fé prestes a ser testada.
