15 minutos
Capa do resumo de Triste Fim de Policarpo Quaresma

Ficção · 15 min

Triste Fim de Policarpo Quaresma

Lima Barreto · 1915

Para quem é

Pra você que gosta de sátira social bem afiada e quer entender, por dentro de uma história, como o Brasil tratava quem levava patriotismo e ideais a sério demais no começo do século vinte. Bom também pra quem curte literatura brasileira clássica com ironia o tempo todo e final triste de verdade.

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3 ideias pra levar

1

Para o autor, uma sociedade que não sabe o que fazer com devoção exagerada tende a tratar excesso de ideal como doença, em vez de perguntar por que quase mais ninguém tem tanto assim.

2

No romance, Quaresma valoriza a viola e a modinha justamente porque são populares, numa época em que a elite carioca só respeitava o que vinha copiado da Europa.

3

A convivência de Quaresma com Albernaz e Genelício mostra que devoção sincera e carreirismo cínico podem conviver na mesma sala, sem que um contamine o outro.

“
No romance, um argumento bem montado não convence ninguém quando chega na hora errada e pro público errado: o Congresso ri do requerimento de Quaresma antes de discutir uma linha dele.
Uma ideia de Triste Fim de Policarpo Quaresma, nas palavras do 15 minutos

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Antes de começar: o que você vai ler

Este é um resumo de ficção, então ele conta a história inteira do livro, do começo ao fim, incluindo o desfecho. Se você prefere chegar ao romance sem saber como ele termina, guarde este resumo pra depois da leitura.

Triste Fim de Policarpo Quaresma saiu primeiro em capítulos, publicado no Jornal do Commercio em 1911, e virou livro, revisado pelo próprio autor, em 1915. É uma sátira sobre nacionalismo ingênuo, burocracia e a política do período conhecido como República da Espada, contada num tom que mistura ironia, humor e tragédia.

A história se divide em três partes, cada uma com um sonho diferente do protagonista: a língua, a terra e a política armada. As três terminam em fracasso, e é desse padrão que nasce o título do romance.

Lima Barreto escreve de dentro dos subúrbios e das repartições públicas do Rio de Janeiro, um retrato bem diferente da cidade elegante que aparecia nos romances da época. É justamente por conhecer esse Brasil de bastidor, o do funcionário público e do bairro pobre, que a sátira acerta tanto no alvo.

Quem é Policarpo Quaresma

Policarpo Quaresma é funcionário público no Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, homem de meia idade, solteiro, que vive numa casa simples com a irmã Adelaide e cria com carinho de pai a afilhada Olga.

O que diferencia Quaresma de qualquer outro personagem do livro é a sinceridade: ele ama o Brasil de um jeito literal, sem ironia nenhuma, e acredita que basta dedicação e boa vontade pra provar, na prática, tudo de bom que os livros escolares contam sobre o país.

Essa sinceridade sem filtro, que soaria bonita em qualquer outro contexto, vira motivo de piada entre quem convive com ele, porque ninguém mais ao redor leva patriotismo tão a sério quanto ele leva.

Ele lê tudo que encontra sobre história, geografia e cultura brasileira, guarda mapa e estatística de cor, e trata cada conversa de mesa como oportunidade de defender o país com dado na mão. É esse mesmo excesso de estudo, sem noção nenhuma de quando parar, que vai empurrando Quaresma pra cada uma das três tragédias do romance.

Um patriota estudando viola e modinha

Uma das primeiras provas do patriotismo de Quaresma é musical: ele passa a estudar viola e modinha, o cancioneiro popular brasileiro, numa época em que a elite carioca só respeitava o que vinha copiado da França e da ópera europeia.

É nesse universo da modinha que ele se aproxima de Ricardo Coração dos Outros, violeiro e compositor boêmio, figura central da vida noturna popular do Rio e, ao mesmo tempo, pretendente a Olga.

Pra Quaresma, gostar de viola não é capricho de amador, é afirmação de que a cultura popular brasileira vale tanto quanto qualquer coisa vinda de fora. Pro círculo de amigos mais refinados, como a família do general Albernaz, isso só confirma que ele é um excêntrico.

É um detalhe pequeno do livro que ainda faz sentido hoje: gostar do que é feito perto de casa, seja música, comida ou artesanato, muitas vezes exige uma justificativa que ninguém pede de quem prefere só o que vem de fora.

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Sobre Lima Barreto

Lima Barreto, nome completo Afonso Henriques de Lima Barreto, nasceu no Rio de Janeiro em 1881 e morreu na mesma cidade em 1922. Foi um dos primeiros grandes romancistas negros do Brasil, trabalhou como funcionário público durante boa parte da vida e cursou, sem concluir, a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Enfrentou episódios de sofrimento psíquico ligados ao alcoolismo e chegou a ser internado no Hospício Nacional de Alienados, a mesma instituição retratada no romance. Hoje é reconhecido como uma das vozes centrais da literatura brasileira pré-modernista, autor também de Recordações do Escrivão Isaías Caminha.

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Categoria:
Ficção