15 minutos
Capa do resumo de Grandes Esperanças

Ficção · 15 min

Grandes Esperanças

Charles Dickens · 1861

Para quem é

Pra quem gosta de uma história cheia de reviravolta, mistério de herança e final em aberto, e quer entender por que um clássico inglês do século dezenove ainda é citado quando o assunto é ambição social e gratidão. Serve também pra quem já sentiu vergonha de alguém simples que sempre esteve do seu lado, e quer ver essa culpa exposta sem melodrama.

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3 ideias pra levar

1

No romance, construir a própria identidade em cima de um segredo que não se controla deixa Pip à espera da hora em que a explicação desmorona.

2

Miss Havisham cria Estella pra ferir porque a própria dor precisava de um instrumento vivo pra continuar circulando entre os homens.

3

A lealdade de Joe não cobra endereço nem sobrenome novo: ela apenas espera na porta, pronta quando Pip volta a precisar.

“
Miss Havisham para os relógios da casa às vinte pras nove, mas o rancor dela segue andando sozinho, décadas depois.
Uma ideia de Grandes Esperanças, nas palavras do 15 minutos

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Um menino, um cemitério e um homem faminto

Pip é órfão, cresce nos pântanos de Kent, na Inglaterra, criado pela irmã mais velha e pelo marido dela, Joe, ferreiro da vila. Numa véspera de Natal fria, o menino visita o cemitério dos pais e irmãozinhos mortos cedo, e um homem maltrapilho e faminto salta de trás de uma lápide e o agarra pelo pescoço.

O homem é Magwitch, um condenado fugido dos navios-prisão ancorados no rio, com o ferro ainda preso no tornozelo. Ele exige comida e uma lima pra cortar a corrente, e ameaça Pip com um destino terrível se contar a alguém. Apavorado, o menino furta pão, torta e a lima da própria cozinha e entrega tudo ao homem na manhã seguinte, sem imaginar que esse gesto pequeno vai voltar, anos depois, do jeito mais inesperado possível.

Magwitch é recapturado ainda ali e embarcado de volta pro navio-prisão. Pip acredita que o susto acabou. Só que Dickens já plantou, nesse encontro rápido, a semente de tudo que o romance vai desenrolar: gratidão, vergonha e a pergunta sobre quem realmente merece ser chamado de cavalheiro.

Criado à mão pela irmã, criado de verdade pelo ferreiro

A senhora Joe repete sem parar que criou Pip à mão, expressão da época pra dizer que o educou sozinha, e cobra esse sacrifício em forma de tapa e beliscão. Na casa dela, a vara batizada de Arrebenta-Ossos fica sempre pendurada na parede, pronta pra qualquer desobediência.

Joe, o marido dela, é o oposto: um ferreiro grandalhão, de fala simples e mãos calejadas de forja, que trata Pip como um igual e não como um estorvo. Nas noites em que a senhora Joe está de mau humor, os dois trocam olhares cúmplices perto do fogo, uma aliança silenciosa entre quem apanha e quem também apanha.

É Joe quem ensina Pip, sem cobrar nada em troca, que afeto não precisa de discurso bonito pra ser real. Esse é o padrão moral que o livro inteiro usa como régua: toda vez que Pip se afasta desse jeito simples de amar, alguma coisa nele racha por dentro.

A casa onde os relógios pararam

Uma parente distante arranja pra Pip visitar Miss Havisham, mulher riquíssima que vive trancada numa mansão decadente chamada Satis House. Ela recebe o menino usando o mesmo vestido de noiva amarelado, com um sapato só, sentada perto de um bolo de casamento coberto de teias de aranha e ratos.

Décadas antes, no dia do próprio casamento, ela foi abandonada no altar pelo noivo, minutos antes da cerimônia, sem sequer assinar o contrato de dote combinado entre as famílias. Desde então parou todos os relógios da casa às vinte pras nove, hora exata da notícia: cortinas fechadas, luz de vela o dia inteiro.

Miss Havisham não busca superar a dor: ela a preserva, decorativa, como um museu particular do próprio rancor. É nessa casa parada no tempo que Pip vai voltar várias vezes, sempre saindo mais infeliz com a própria vida simples do que quando entrou.

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Sobre Charles Dickens

Charles Dickens nasceu em Portsmouth, na Inglaterra, em 1812, e viveu a infância marcada pela prisão do próprio pai por dívidas e pelo trabalho numa fábrica de graxa de sapato, ainda criança. Tornou-se o romancista mais popular da era vitoriana, publicando a maioria dos livros em folhetim, capítulo por capítulo, em revistas semanais ou mensais. Além de Grandes Esperanças, publicado entre 1860 e 1861, escreveu Oliver Twist, David Copperfield e Um Conto de Natal, e usou boa parte da obra pra denunciar a pobreza e a exploração infantil da Inglaterra da época. Morreu em 1870, aos cinquenta e oito anos, e está enterrado no Cantinho dos Poetas, na Abadia de Westminster.