Um fidalgo que lê demais
Num lugarejo da região de La Mancha, na Espanha, vivia um fidalgo magro, de meia-idade e pouca renda. Ele se chamava Alonso Quijano e tinha um vício só: ler romances de cavalaria, histórias cheias de cavaleiros, dragões e damas salvas em perigo, que faziam sucesso na época.
Lia tanto, e dormia tão pouco, que o cérebro secou, como o próprio livro diz sem meias palavras. Vendeu terras pra comprar mais livros e foi perdendo a fronteira entre a página e a realidade. Aos poucos, passou a acreditar que tudo aquilo, gigantes, encantamentos, duelos de honra, tinha acontecido de verdade.
Foi aí que decidiu virar, ele mesmo, um cavaleiro andante: sair pelo mundo lutando por justiça, ganhando fama e servindo uma dama, como os heróis dos livros que tanto admirava. Pra qualquer vizinho eram fantasias de velho solitário. Pra ele, era a missão mais séria da vida.
