Uma previsão feita antes de nascer
Natividade está grávida de gêmeos e sobe o Morro do Castelo pra consultar uma cabocla que lê o futuro, cheia de medo do que pode vir. A cabocla fala em frases enigmáticas: os dois meninos vão ser grandes, mas vão brigar por tudo, como dois irmãos que já se estranhavam dentro da própria mãe.
Natividade desce o morro sem entender direito o recado, mas carregando uma inquietação que nem consegue explicar direito ao marido, Santos, comerciante que prefere não acreditar em adivinhação, mas também não descarta de vez o aviso da cabocla.
Esse começo quase de conto de fadas avisa quem está lendo logo de cara: aqui, o destino fala com sotaque de morro carioca, não de tragédia grega. E ele vai voltar mais de uma vez ao longo da história, cada vez com mais força.
Vale notar o detalhe: quem carrega o peso da profecia primeiro não são os gêmeos, é a mãe. Natividade passa boa parte da gravidez tentando decifrar um aviso vago, do jeito que qualquer pai ou mãe de hoje faz quando um exame ou um comentário solto planta uma preocupação difícil de largar.
