15 minutos
Capa do resumo de Esaú e Jacó

Ficção · 15 min

Esaú e Jacó

Machado de Assis · 1904

Para quem é

Pra quem quer conhecer um clássico brasileiro sem academiquês, entendendo por que dois irmãos gêmeos e a troca de regime no Brasil ainda têm algo a dizer sobre indecisão, rivalidade e família hoje em dia.

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3 ideias pra levar

1

No romance, Flora não consegue escolher entre Pedro e Paulo, e a indecisão dela funciona como retrato de um país dividido entre Império e República.

2

No fim do romance, nem a promessa feita à mãe doente consegue acabar com a rivalidade dos gêmeos.

3

Segundo o livro, uma rivalidade que parece enorme por fora pode nascer de um motivo pequeno e caseiro por dentro.

“
No romance, uma previsão dita antes do nascimento vira destino sobretudo porque a família decide acreditar nela depois.
Uma ideia de Esaú e Jacó, nas palavras do 15 minutos

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Uma previsão feita antes de nascer

Natividade está grávida de gêmeos e sobe o Morro do Castelo pra consultar uma cabocla que lê o futuro, cheia de medo do que pode vir. A cabocla fala em frases enigmáticas: os dois meninos vão ser grandes, mas vão brigar por tudo, como dois irmãos que já se estranhavam dentro da própria mãe.

Natividade desce o morro sem entender direito o recado, mas carregando uma inquietação que nem consegue explicar direito ao marido, Santos, comerciante que prefere não acreditar em adivinhação, mas também não descarta de vez o aviso da cabocla.

Esse começo quase de conto de fadas avisa quem está lendo logo de cara: aqui, o destino fala com sotaque de morro carioca, não de tragédia grega. E ele vai voltar mais de uma vez ao longo da história, cada vez com mais força.

Vale notar o detalhe: quem carrega o peso da profecia primeiro não são os gêmeos, é a mãe. Natividade passa boa parte da gravidez tentando decifrar um aviso vago, do jeito que qualquer pai ou mãe de hoje faz quando um exame ou um comentário solto planta uma preocupação difícil de largar.

Dois rostos iguais, dois jeitos opostos

Pedro e Paulo nascem parecidíssimos, a ponto de confundir empregada da casa, parente distante e, mais tarde, até a própria namorada. Por dentro, porém, cada um puxa pra um lado bem diferente: um mais calmo e apegado ao que já existe, o outro mais inquieto e com vontade de mudar tudo.

Esse contraste entre rosto idêntico e temperamento oposto é o motor da história inteira. Quando um concorda com alguma coisa, o outro discorda quase por reflexo, num jogo de irmãos que qualquer família brasileira com dois filhos brigões reconhece de longe.

A diferença mais séria aparece quando os dois crescem e escolhem lados políticos opostos, transformando rixa de infância em disputa de gente grande, movida por convicção e por teimosia em partes praticamente iguais.

Machado brinca com essa semelhança física o tempo inteiro: gente confunde os dois na rua, no clube, na porta de casa, e a confusão sempre rende uma cena engraçada seguida de uma implicância séria entre os irmãos.

Um vira monarquista, o outro vira republicano

Pedro se apega à ideia de tradição e defende o Império, gosta da ordem que já conhece. Paulo abraça a causa republicana, quer mudança e acha o sistema antigo ultrapassado. Os dois defendem a própria posição com o mesmo fervor que defendiam brinquedo quando crianças.

O livro não escolhe lado nenhum: mostra os dois discursando, se irritando, se achando certo, sem que quem está lendo saia convencido de que algum dos dois tem toda a razão. É retrato de família, não panfleto político.

Pra quem vive hoje um grupo de família dividido em política, a cena soa conhecida: dois irmãos que se gostam, mas evitam certo assunto na mesa do almoço porque sabem exatamente onde aquilo vai parar.

O curioso é que nenhum dos dois muda de ideia por causa do outro: a discussão nunca convence ninguém, só reforça a posição de cada lado, como costuma acontecer em qualquer bate boca de família puxado pelo orgulho.

Faltam 11 seções e o quiz

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Sobre Machado de Assis

Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 1839, filho de um pintor de paredes mulato e de uma lavadeira portuguesa, e foi praticamente autodidata, aprendendo boa parte do que sabia sozinho enquanto trabalhava como tipógrafo e jornalista. Tornou-se um dos maiores escritores da língua portuguesa e fundou a Academia Brasileira de Letras em 1897, sendo seu primeiro presidente até morrer, em 1908. Esaú e Jacó, publicado em 1904, é o penúltimo romance de sua carreira, escrito pouco antes de Memorial de Aires.