Ansiedade como hábito, não como defeito
Quando alguém diz que é ansioso, quase sempre fala como se fosse um traço de personalidade, igual à altura ou à cor dos olhos. O psiquiatra Judson Brewer propõe outra leitura: boa parte da ansiedade que atrapalha o dia a dia funciona como um hábito, e hábito se aprende, se reforça e também se desmonta.
Isso muda a conversa. Se ansiedade fosse defeito de fábrica, só restaria conviver com ela ou tentar abafar. Sendo hábito, existe um mecanismo que pode ser observado, e quem observa o mecanismo ganha alguma margem de manobra. Repare que essa margem não é promessa de cura: é um ponto de partida prático.
Vale uma ressalva logo no começo. O livro trata da ansiedade cotidiana, aquela que aparece na preocupação com o boleto, com a mensagem sem resposta e com a reunião de amanhã. Quadros intensos, como transtorno de pânico, pedem avaliação de psiquiatra ou psicólogo, e o método do livro pode entrar como complemento, nunca como substituto.
