Um livro escrito por dentro da doença
Andrew Solomon abre O demônio do meio-dia contando algo raro: ele próprio atravessou crises profundas de depressão e decidiu investigar o tema com a lupa de escritor. O resultado é um livro longo, que mistura memória, entrevistas, ciência, história e política. A mistura funciona porque ele fala como quem viveu o que descreve, sem pose de superioridade.
O título remete a uma antiga expressão religiosa para um estado de apatia e desânimo que atingia monges em pleno meio do dia, quando o sol parecia parado. Solomon usa a imagem para mostrar que a depressão não é uma tristeza passageira, mas um estado que se instala e muda a experiência do tempo, do corpo e do sentido.
Este resumo traz ideias do livro e pode tocar em assuntos sensíveis. Se você está passando por algo parecido, procure atendimento. No Brasil, o CVV atende pelo telefone 188, a qualquer hora.
