Uma pergunta incômoda: vício é doença ou aprendizado?
A ideia mais repetida sobre dependência química é que se trata de uma doença cerebral crônica. Você escuta isso em clínica, em reportagem e em campanha de saúde. Marc Lewis, neurocientista que também foi dependente, resolveu questionar esse rótulo sem negar o sofrimento de quem vive o problema.
A tese do livro é que a dependência não nasce de um cérebro quebrado, e sim de um cérebro que funciona exatamente como foi feito para funcionar: aprendendo com o que traz alívio ou prazer. O vício seria uma forma extrema de aprendizado, em que o desejo se agarra a uma fonte de recompensa e a repete até virar rotina profunda. O título fala de biologia do desejo justamente por isso: o motor é normal, a rota é que se desvia.
