15 minutos
Capa do resumo de A História do Corpo Humano: Evolução, Saúde e Doença

Saúde · 15 min

A História do Corpo Humano: Evolução, Saúde e Doença

Daniel Lieberman · 2013

Para quem é

Pra você que já ficou boquiaberto ouvindo que fulano tem miopia, cárie ou dor nas costas e quer entender por que o corpo humano parece tão mal ajustado à vida moderna. É um livro pra quem gosta de entender o porquê das coisas antes de mudar qualquer hábito.

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3 ideias pra levar

1

Segundo Lieberman, correr longas distâncias no calor foi, durante boa parte da pré-história, a arma de caça mais eficiente do gênero Homo, mais do que a velocidade.

2

Muita gente comum na história da agricultura passou a comer pior e a trabalhar mais do que os antigos caçadores-coletores.

3

Segundo o livro, tratar só o sintoma de uma doença de descompasso, sem mexer no ambiente que a causa, empurra o mesmo problema pra frente, pra outra pessoa ou pra outra geração.

“
Andar sobre duas pernas gasta bem menos energia do que andar apoiado nas quatro, como faz um chimpanzé, e ainda deixava as mãos livres pra carregar comida.
Uma ideia de A História do Corpo Humano: Evolução, Saúde e Doença, nas palavras do 15 minutos

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Por que ficar de pé em duas pernas foi a virada

Antes de qualquer outra coisa que separa o ser humano dos demais primatas, veio o bipedalismo: andar apoiado só nas duas pernas, com o tronco na vertical. Isso aconteceu muito antes do cérebro grande, da ferramenta de pedra, da fala. Os primeiros ancestrais bípedes já andavam assim, enquanto o resto do corpo ainda parecia bastante de macaco.

Andar em pé libera as mãos, que passam a carregar filhote, fruta, graveto. Também muda o gasto de energia: andar de pé gasta bem menos calorias por quilômetro do que se deslocar de quatro apoios, o que importa quando o alimento está espalhado e distante.

O preço veio junto: coluna, joelho e quadril tiveram que se reorganizar pra sustentar um corpo inteiro empilhado sobre uma área pequena de apoio, os pés. É esse mesmo desenho, pensado pra caminhar longas distâncias devagar, que hoje sofre quando a rotina vira décadas de cadeira e pouquíssimo caminhar.

Australopitecos: nem macaco, nem humano

Os australopitecos, que viveram na África entre cerca de 4 e 2 milhões de anos atrás, são um bom retrato dessa fase de transição. Já andavam eretos, mas ainda tinham braços longos e mãos curvas, boas pra subir em árvore em caso de perigo. O cérebro seguia praticamente do tamanho de um chimpanzé.

A dieta desse grupo dependia de fruta, folha, raiz e semente, mastigadas com dentes e mandíbulas enormes, adaptados a comida dura e fibrosa. Sem faca e sem fogo, o próprio corpo precisava triturar o alimento antes de engolir.

É tentador imaginar o australopiteco como um humano incompleto, mas o livro convida a olhar diferente: era uma espécie bem-sucedida do seu próprio jeito, adaptada a um nicho que combinava chão e árvore. A humanidade como se conhece hoje só apareceria bem depois, com o gênero Homo.

O gênero Homo aposta na corrida

Com o Homo erectus, o corpo muda de verdade: pernas mais longas, quadril mais estreito, um sistema de suar por toda a pele que nenhum outro primata tem no mesmo grau. Essa combinação foi feita sob medida pra correr longas distâncias sob calor forte, quando a maioria dos outros bichos precisa parar pra se refrescar.

Essa é a base da hipótese da corrida de resistência que o autor defende: em vez de vencer a presa na velocidade de curta distância, o corpo humano vencia no cansaço acumulado, perseguindo o animal por horas, no calor do meio-dia, até ele parar de exaustão, sem conseguir se refrigerar. É uma caçada de resistência, não de arrancada.

Junto com isso vem o gosto por carne e gordura animal, alimento denso em energia que sustentava um corpo gastando bem mais calorias por dia do que um macaco do mesmo porte. Comer carne também abriu espaço pra outra mudança: o intestino podia encolher, porque digerir carne exige menos trabalho do que digerir folha crua, sobrando energia pra outro órgão caro.

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Sobre Daniel Lieberman

Daniel Lieberman é paleoantropólogo americano e professor de biologia evolutiva humana na Universidade Harvard. É conhecido por suas pesquisas sobre a evolução da corrida de resistência e do bipedalismo humano. Publicou A História do Corpo Humano em 2013, obra que virou referência na discussão sobre evolução e doenças modernas. Também é autor de outros livros sobre biologia evolutiva humana voltados ao público geral.