Um médico que virou visita frequente da cadeia
Drauzio Varella é oncologista, formado pela USP, conhecido por décadas de trabalho no combate ao câncer. Em 1989 ele começou a entrar como voluntário na Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru, pra tentar frear uma epidemia de aids que avançava rápido entre os presos, num tempo em que a doença ainda matava quase todo mundo que a pegava.
O plano inicial era ficar pouco tempo, dar uma palestra, montar uma cartilha e voltar pro consultório de sempre. Não foi isso que aconteceu: ele acabou voltando toda semana, por mais de uma década, até virar uma espécie de médico de confiança de um lugar que não confiava em ninguém de fora.
Este resumo conta o que ele viu e ouviu nesses anos dentro do pavilhão, sem romantizar nem demonizar quem estava preso ali. É o relato de um homem de classe média tentando entender uma realidade que a maioria dos brasileiros só vê de longe, pela grade de uma manchete de jornal.
