15 minutos
Capa do resumo de As Zonas Azuis

Saúde · 15 min

As Zonas Azuis

Dan Buettner · 2008

Para quem é

Para quem já ouviu falar em zona azul num post de rede social e quer entender a pesquisa de verdade por trás disso, sem promessa de fórmula mágica de vida eterna. Serve também pra quem cuida de pai ou mãe idosos e busca ideias práticas de rotina, não só teoria.

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3 ideias pra levar

1

Ter um dia por semana em que o trabalho é proibido por regra maior que a própria vontade, como o sábado de Loma Linda, protege o descanso de um jeito que a força de vontade sozinha raramente consegue garantir.

2

Trocar a meta de ir à academia por redesenhar o trajeto do dia a dia, escada em vez de elevador, feira a pé em vez de aplicativo, tira o movimento do campo da disposição e coloca no campo do hábito automático.

3

Auditar as cinco pessoas com quem você mais convive, e notar se elas puxam pra hábito melhor ou pior, é um jeito prático de entender por que é tão difícil manter uma mudança de hábito sozinho.

“
Na Barbagia, chegar aos oitenta não tira a pessoa da mesa de decisão da família: ela continua sendo chamada pra opinar, não só pra almoçar no domingo.
Uma ideia de As Zonas Azuis, nas palavras do 15 minutos

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De onde veio o nome zona azul

Tudo começou numa mesa de trabalho, não numa praia paradisíaca. Dan Buettner, jornalista e explorador americano, se juntou aos demógrafos Gianni Pes e Michel Poulain, que estudavam por que a Sardenha, na Itália, tinha uma concentração de homens centenários muito acima da média mundial. Os dois pesquisadores foram marcando num mapa, com caneta azul, os vilarejos da ilha onde mais gente chegava aos cem anos. Dali nasceu o nome zona azul.

Buettner enxergou ali um projeto maior do que um artigo acadêmico. Com apoio da National Geographic e do National Institute on Aging americano, ele montou expedições pra descobrir outros lugares com o mesmo padrão: gente comum vivendo mais e com menos doença crônica que a média, com checagem de registro de nascimento e censo, não anedota de vizinho.

O resultado, publicado em 2008 e revisado em 2012, reuniu cinco regiões: a Barbagia, no interior montanhoso da Sardenha; Okinawa, no Japão; a comunidade adventista de Loma Linda, na Califórnia; a península de Nicoya, na Costa Rica; e, na edição revista, a ilha grega de Icária. Nenhuma delas é rica, nenhuma tem academia chique ou suplemento importado, e é exatamente esse contraste que sustenta o livro inteiro.

Sardenha: os pastores da Barbagia

Na Barbagia, região de pastores no coração montanhoso da Sardenha, Buettner encontrou vilarejos com proporção recorde de homens que passavam dos cem anos, o que chama atenção porque, na maior parte do mundo, mulher vive bem mais que homem. A explicação que o livro levanta começa na geografia: terreno íngreme obriga o pastor a subir e descer morro todo dia, décadas seguidas, sem pisar em academia.

Mas o ponto que Buettner mais insiste é social: o idoso na Barbagia não é aposentado no sentido de afastado da vida útil. Ele continua sendo consultado, respeitado, chamado pra opinar em decisão de família, quase como se a idade fosse promoção de cargo, não corte de função.

Dá pra pensar nisso comparando com o avô que, aqui no Brasil, vira presença decorativa depois que se aposenta, só chamado pro almoço de domingo. Na Barbagia, o avô ainda é convocado pra resolver briga de herança, dar palpite em negócio de família, cuidar de neto enquanto os pais trabalham com carteira assinada.

Okinawa: ikigai, hara hachi bu e o moai

Okinawa, arquipélago no sul do Japão, aparece no livro como território de recordista mundial de mulheres centenárias. Buettner atribui parte disso a um conceito que os moradores carregam desde criança: ikigai, palavra japonesa sem tradução exata, que gira em torno de ter uma razão clara pra levantar da cama todo dia, mesmo depois de velho.

O livro também descreve a alimentação tradicional okinawana, historicamente pobre em carne e rica em batata doce, tofu e vegetais, além do costume de comer devagar até sentir oitenta por cento de saciedade, prática chamada hara hachi bu, que evitava o exagero calórico sem virar dieta restritiva chata.

Um terceiro ponto é o moai, pequeno grupo de amigos formado desde a infância que se compromete a se apoiar financeira e emocionalmente pela vida toda, como uma poupança social. Se um perde o emprego, o grupo ajuda.

Faltam 11 seções e o quiz

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Sobre Dan Buettner

Dan Buettner é jornalista, explorador e escritor americano, membro de longa data da National Geographic Society. Antes de estudar longevidade, ficou conhecido nos anos 1980 e 1990 por expedições de ciclismo de longa distância, incluindo travessias recordistas pela África e pelas Américas registradas no Guinness World Records. A partir dos anos 2000 passou a liderar, com apoio da National Geographic e do National Institute on Aging, expedições de campo às regiões que batizou de zonas azuis. Depois do livro, fundou a empresa Blue Zones LLC, que hoje vende consultoria, produtos e um selo de certificação baseado na marca que ele criou.