15 minutos
Capa do resumo de Walden II

Psicologia · 15 min

Walden II

B. F. Skinner · 1948

Para quem é

Pra quem gosta de romances de ideias e quer pensar se é possível planejar uma sociedade melhor sem tirar a liberdade das pessoas. Também serve a quem se interessa por hábitos, educação e comportamento.

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3 ideias pra levar

1

Reforço bem aplicado costuma ensinar mais do que ameaça, porque mostra o que fazer, e não só o que evitar.

2

Quem projeta as regras de uma comunidade tem poder enorme, e a pergunta de quem vigia os planejadores segue aberta.

3

O final sugere que o desconforto de Burris dizia mais sobre a vida que ele levava do que sobre a comunidade.

“
Pagar mais créditos por tarefas desagradáveis é uma forma simples de transformar o que ninguém quer fazer numa escolha.
Uma ideia de Walden II, nas palavras do 15 minutos

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Uma utopia escrita no pós-guerra

Walden II foi publicado em 1948, três anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, quando o mundo olhava para as ruínas e se perguntava como construir uma sociedade melhor. B. F. Skinner, psicólogo de Harvard, respondeu com um romance: em vez de um tratado, uma comunidade imaginária onde as ideias dele podiam ser vistas funcionando.

O título é uma homenagem ao livro Walden, de Henry David Thoreau, que defendia a vida simples na floresta. Skinner mantém o desejo de viver com simplicidade, mas rejeita o isolamento. Ele propõe uma pequena sociedade planejada, com gente de verdade, trabalho, escolas, festas e regras claras.

O livro é uma ficção, mas funciona como manifesto. Os personagens conversam muito, e as conversas servem para expor argumentos. Por isso vale ler duas coisas ao mesmo tempo: a história do que acontece com os visitantes e as ideias que ela quer defender.

A visita: quem chega a Walden II

A história é contada por Burris, professor de psicologia que, depois da guerra, é procurado por dois ex-combatentes, Rodge e Steve. Eles falam de um antigo conhecido da universidade, T. E. Frazier, que teria fundado uma comunidade experimental. Curioso e meio desconfiado, Burris aceita investigar.

A turma que viaja é um retrato de visões diferentes. Há os dois rapazes e as namoradas deles, Barbara e Mary, com a vontade de achar um lugar melhor pra viver. E há o professor Castle, filósofo cético, que defende a liberdade individual e acha estranha qualquer tentativa de planejar a vida dos outros.

Chegando, são recebidos por Frazier e conduzidos por plantações, refeitórios, ateliês e prédios de moradia. O que veem parece quase bom demais: gente calma, trabalhando pouco, estudando, cantando, brincando. O livro usa o olhar de cada visitante pra mostrar admiração, dúvida e resistência.

Frazier, o fundador carismático

Frazier é o grande personagem do livro. Fala sem parar, argumenta com ironia, tem certeza de que acertou. Ele explica que passou anos planejando a comunidade, testou ideias em escala pequena, corrigiu erros e hoje vê cerca de mil pessoas vivendo em harmonia.

Skinner o desenha como alguém brilhante, mas também vaidoso e meio autoritário. Frazier se incomoda com dúvidas, trata críticas como incompreensão e, em certos momentos, parece gostar de se ver como uma espécie de deus da própria criação. O autor deixa essa ambiguidade à mostra.

Isso torna a leitura mais rica. Dá pra ver Frazier como porta-voz de Skinner, mas também como um personagem que o leitor pode contestar. A pergunta que fica é se uma sociedade tão dependente de um fundador carismático pode ser realmente estável e justa.

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Sobre B. F. Skinner

Burrhus Frederic Skinner nasceu em 1904, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, e se tornou um dos psicólogos mais conhecidos do século vinte. Foi professor na Universidade Harvard e desenvolveu o behaviorismo radical e a teoria do condicionamento operante. Escreveu também Ciência e Comportamento Humano, de 1953. Morreu em 1990.

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Categoria:
Psicologia
Faz parte das Jornadas:
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