Uma máquina feita pela evolução
Imagine abrir o relógio de um avô e tentar entender pra que serve cada engrenagem. É assim que o psicólogo Steven Pinker propõe olhar para a mente: como um aparelho complexo que tem peças com funções específicas, e que só faz sentido quando a gente pergunta pra que cada peça foi montada. Esse exercício de desmontar algo pronto pra descobrir o projeto original se chama engenharia reversa.
A resposta que ele dá junta duas ideias. A primeira é que pensar é processar informação, como faz um computador. A segunda é que esse processador não caiu do céu: foi lapidado pela seleção natural ao longo de milhões de anos, pra resolver os problemas dos nossos antepassados caçadores e coletores.
Daí vem a frase-resumo do livro, que dita o tom de tudo: a mente é um conjunto de órgãos de computação, desenhados pela evolução pra nos ajudar a sobreviver e a ter filhos. Ela não foi feita pra ser feliz, nem pra ser lógica, nem pra buscar a verdade a qualquer custo.
