Duas formas de existir
Erich Fromm parte de uma pergunta simples e incômoda: você se relaciona com o mundo pelo que tem ou pelo que é? Pra ele, são dois modos de existência. No modo ter, a vida gira em torno de possuir coisas, pessoas, saber e até a própria imagem. No modo ser, o que importa é viver de forma ativa e presente.
O livro não trata isso como questão de dinheiro. Dá pra ser rico e viver no modo ser, e dá pra ser pobre e passar o dia obcecado por posse. O ponto está na atitude: usar o mundo como estoque para guardar ou como experiência para viver.
Fromm escreveu em 1976, no auge do consumo de massa, convencido de que a sociedade industrial empurrava todo mundo para o ter. A tese é que isso nos deixa ansiosos, vazios e dependentes daquilo que acumulamos, e que existe outro caminho.
