15 minutos
Capa do resumo de Ter ou Ser?

Filosofia · 15 min

Ter ou Ser?

Erich Fromm · 1976

Para quem é

Pra você que sente que corre atrás de coisas e conquistas e mesmo assim fica com um vazio. Serve também a quem quer pensar a relação entre consumo, identidade e bem-estar.

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3 ideias pra levar

1

Aprender de verdade muda a forma como você olha o mundo, e anotar tudo não garante isso.

2

A promessa de que consumir mais traz mais felicidade merece ser testada com a própria experiência.

3

A pergunta sobre o que você sentiria se perdesse algo de que se orgulha revela onde está o seu valor.

“
Dizer 'tenho uma preocupação' faz dela um objeto, e 'estou preocupado' devolve a ela o movimento de uma vida.
Uma ideia de Ter ou Ser?, nas palavras do 15 minutos

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Duas formas de existir

Erich Fromm parte de uma pergunta simples e incômoda: você se relaciona com o mundo pelo que tem ou pelo que é? Pra ele, são dois modos de existência. No modo ter, a vida gira em torno de possuir coisas, pessoas, saber e até a própria imagem. No modo ser, o que importa é viver de forma ativa e presente.

O livro não trata isso como questão de dinheiro. Dá pra ser rico e viver no modo ser, e dá pra ser pobre e passar o dia obcecado por posse. O ponto está na atitude: usar o mundo como estoque para guardar ou como experiência para viver.

Fromm escreveu em 1976, no auge do consumo de massa, convencido de que a sociedade industrial empurrava todo mundo para o ter. A tese é que isso nos deixa ansiosos, vazios e dependentes daquilo que acumulamos, e que existe outro caminho.

O que a linguagem entrega

Uma das pistas do autor está na fala. Dizemos 'eu tenho um problema', 'eu tenho insônia', 'eu tenho um relacionamento', como se tudo fosse objeto guardado na gaveta. Em vez de falar de uma experiência, falamos de uma coisa que se tem.

Pra ele, essa mudança de verbo revela uma forma de pensar. Quando transformo emoção em mercadoria, passo a gerenciar a posse e deixo de viver o processo. 'Estou preocupado' descreve algo em movimento. 'Tenho uma preocupação' faz dela uma coisa que posso trancar ou atribuir ao outro.

Brincando com o cotidiano brasileiro, repare em como falamos de 'ter' casa própria, 'ter' carteira assinada, 'ter' o carro quitado. São conquistas legítimas, e o livro não pede que sejam desprezadas. Pede que a gente note quando a identidade inteira passa a depender delas.

Aprender: guardar ou se transformar

Fromm compara duas formas de assistir a uma aula. No modo ter, o aluno anota tudo, decora e guarda a informação para repetir na prova. Sai da sala com o mesmo olhar com que entrou, só que com mais anotações na pasta.

No modo ser, ele escuta, pergunta, discorda, sente-se provocado e vai embora pensando diferente. A matéria entra em contato com a sua vida e muda a forma como ele enxerga o assunto. A aula acontece dentro dele, e não só no caderno.

O contraste vale para cursos online que a gente compra e não termina, para o diploma pendurado na parede e para a pilha de livros que dá status. Acumular conhecimento como bem é diferente de ser transformado por ele.

Fromm aponta que a escola costuma premiar o primeiro modo, com provas de memória e notas como moeda. Não por acaso, muita gente termina os estudos sem curiosidade nenhuma e passa a vida evitando livros. Um professor que provoca dúvida, ao contrário, planta algo que continua crescendo anos depois.

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Sobre Erich Fromm

Erich Fromm nasceu na Alemanha em 1900 e foi psicanalista e psicólogo social, ligado ao Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt. Mudou-se para os Estados Unidos nos anos 1930 e depois viveu no México. Escreveu obras como O Medo à Liberdade, de 1941, e A Arte de Amar, de 1956. Ter ou Ser sai em 1976, um dos seus últimos grandes livros, e ele morreu em 1980.

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