O mito da humanidade única e separada do planeta
Toda vez que os noticiários falam em salvar a humanidade, vale perguntar de quem estão falando. Ailton Krenak aponta que o pensamento ocidental inventou a humanidade como um clube seleto, restrito a quem consome e vive pelas regras do mercado urbano. Esse grupo passou a se enxergar como ápice da criação, separado da natureza, tratando a Terra como cenário para seus caprichos.
Essa divisão gerou o antropocentrismo, postura em que rios e florestas perdem seu valor próprio e viram matéria-prima descartável. Ao se afastar da teia viva em que todas as espécies coexistem, nossa sociedade cava um abismo que ameaça a própria vida nesta época de antropoceno.
No cotidiano urbano, esse afastamento é evidente. Quem passa horas no ônibus lotado entre a periferia e o trabalho quase não pisa em terra fértil, cercado por asfalto. Essa rotina reforça a ilusão de que a comida brota na prateleira e a água nasce na torneira, apagando nossa dependência dos ciclos naturais.
