Viena, 1882: o pedido de uma jovem
O romance começa em Viena, no fim do século dezenove. Uma jovem russa chamada Lou Salomé procura um médico muito respeitado, o doutor Josef Breuer. Ela tem uma missão delicada: pedir que ele trate um amigo, o filósofo Friedrich Nietzsche, que estaria afundado em desespero e à beira de se matar.
O problema é que Nietzsche detesta médicos e não aceita ajuda de ninguém. Lou então propõe um disfarce: Breuer deve tratar as enxaquecas terríveis do filósofo, que são reais, e, por baixo desse pretexto, tentar curar a alma dele. Nada disso poderia ser dito de forma aberta.
O leitor é jogado nesse jogo de máscaras logo de saída. Sabemos que há uma doença do corpo, outra da alma, e uma terceira camada de mentira bem-intencionada. É a mola que move o enredo e levanta a pergunta central do livro: é possível ajudar alguém sem que a pessoa admita que precisa?
