O bicho que vive de olho no amanhã
O ponto de partida do livro é uma característica que parece banal: a gente imagina o futuro o tempo todo. Antes de sair de casa, você simula o trânsito. Antes de uma entrevista de emprego, você já ensaiou a conversa inteira na cabeça. Segundo o autor, essa capacidade de prever está ligada à região da frente do cérebro, o córtex pré-frontal, e nos diferencia de outros animais.
O problema é que a gente confia demais nessa ferramenta. Quase todas as grandes decisões da vida, como casar, mudar de cidade, aceitar uma promoção ou ter filho, dependem de uma aposta sobre como vamos nos sentir depois. O livro se dedica a mostrar que essa aposta tem defeitos de fábrica.
É como usar um aplicativo de mapa que costuma acertar a direção geral, mas se perde em detalhes importantes. Funciona, porém não merece fé cega.
