15 minutos
Capa do resumo de Psicopatologia da Vida Cotidiana

Psicologia · 15 min

Psicopatologia da Vida Cotidiana

Sigmund Freud · 1901

Para quem é

Pra você que já chamou alguém pelo nome errado, esqueceu algo importante sem explicação ou mandou mensagem pro grupo errado. O livro propõe que esses tropeços do dia a dia podem dizer algo sobre o que se passa por dentro.

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3 ideias pra levar

1

Segundo Freud, lembranças de infância muito nítidas e aparentemente banais podem estar cobrindo algo que importa mais.

2

Quando a perda ou a quebra de objetos gira em torno de uma pessoa ou de um lugar específico, vale perguntar o que se está evitando.

3

Um lapso de fala pode ser só cansaço, mas para Freud é, às vezes, o pensamento escondido furando a fila.

“
Para Freud, quando um nome some da ponta da língua, o culpado pode ser o assunto que ele traz junto.
Uma ideia de Psicopatologia da Vida Cotidiana, nas palavras do 15 minutos

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Um livro sobre o que parece bobo

Quase todo mundo já trocou um nome, perdeu a chave, esqueceu um compromisso ou mandou mensagem pra pessoa errada. A gente ri e segue em frente. Sigmund Freud, em 1901, olhou pra esses tropeços com seriedade e escreveu Psicopatologia da Vida Cotidiana, uma coleção de pequenos casos reais, muitos tirados da vida dele e de gente conhecida.

A ideia central é que esses erros não são acasos sem sentido. Para Freud, muitos deles acontecem porque um desejo ou pensamento incômodo, empurrado pra fora da consciência, encontra uma brecha. O erro seria um sinal, uma pista de que existe algo ali, e não só distração ou cansaço.

O livro foi decisivo pra popularizar a psicanálise, porque não exige estudo técnico: qualquer leitor reconhece os próprios deslizes nas histórias. Vamos passar pelos tipos de erro que ele descreve e, no fim, separar o que a ciência sustenta do que é interpretação e, portanto, discutível.

O nome que não sai

O primeiro tipo de erro é o esquecimento de nomes próprios. Freud conta que, numa viagem pela região dos Bálcãs, quis lembrar o nome do pintor que fez os afrescos da catedral de Orvieto, e só vinham outros dois: Botticelli e Boltraffio. O certo, Signorelli, não aparecia, embora ele soubesse tudo sobre o pintor.

Ao investigar, ele ligou o esquecimento à conversa que tivera antes: falavam de como os turcos da Bósnia reagiam à morte e a problemas íntimos, e ele cortou o assunto, porque lhe veio a lembrança de um paciente que se matara por uma questão sexual. O nome sumido, para ele, tinha ficado preso ao tema que ele evitava.

Em casa, o equivalente é o nome que está na ponta da língua quando você precisa cumprimentar o ex da sua prima, ou a senha do banco que escapa na hora do aperto. Freud não diz que todo esquecimento tem causa escondida, mas que vale perguntar: em que eu estava pensando e o que esse nome me faz lembrar?

A palavra estrangeira que fugiu da frase

Freud também analisa o esquecimento de palavras de outras línguas. Um jovem, tentando citar um verso do poeta latino Virgílio, travou numa palavra só, aliquis, que significa alguém. Sabia o resto de cor e ficou intrigado: por que justamente aquela palavra?

Pedindo que o rapaz dissesse tudo o que lhe vinha à cabeça sobre ela, sem filtrar, Freud foi chegando a uma sequência de ideias que acabou numa preocupação concreta: o jovem temia que a namorada estivesse grávida. A palavra sumida tinha ficado ligada ao medo que ele não queria admitir nem a si mesmo.

O método usado, a associação livre, é a base da psicanálise: o paciente fala o que vier, sem censura, e o analista procura os elos entre as ideias. É um jeito de dar voz ao que a pessoa não diz de propósito. Funciona como instrumento de terapia, mas é difícil de validar como prova científica, ponto que será discutido adiante.

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Sobre Sigmund Freud

Sigmund Freud nasceu em 1856, em Freiberg, hoje na República Tcheca, e viveu quase toda a vida em Viena, na Áustria. Formou-se em medicina, trabalhou como neurologista e criou a psicanálise, um método de tratamento e uma teoria sobre o inconsciente. Entre suas obras está A Interpretação dos Sonhos, de 1900. Deixou Viena em 1938, depois da anexação da Áustria pela Alemanha nazista, e morreu em Londres, em 1939.

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Categoria:
Psicologia
Faz parte das Jornadas:
Freud e a psicanálise