Um desempregado escreve um manual de poder
Em 1513, Nicolau Maquiavel estava longe de qualquer palácio. Tinha sido um funcionário importante da República de Florença, viajado em missões diplomáticas e conhecido reis, papas e generais. Quando a família Médici voltou a mandar na cidade, ele perdeu o cargo, foi preso, passou por tortura e acabou mandado para uma propriedade no campo, onde passava os dias entre lenha, jogo de cartas e conversa de taverna.
Foi nesse exílio que ele escreveu O Príncipe, um livro curto, quase um currículo. A ideia era mostrar aos novos governantes que ele entendia de poder como poucos e, quem sabe, voltar a ser útil. Pense num profissional demitido que escreve um relatório brilhante e manda para a diretoria nova. É mais ou menos isso, só que com exércitos e conspirações. O texto circulou em cópias e só foi impresso em 1532, depois da morte do autor.
Maquiavel avisa logo que não quer descrever o governante perfeito dos filósofos. Quer saber como o poder funciona na prática. Em vez de perguntar como as coisas deveriam ser, ele pergunta como elas costumam ser.
