Um neurologista que escutava histórias
Imagine um médico que, em vez de olhar só o exame, senta do lado do paciente e escuta a vida inteira dele. Oliver Sacks fez isso por décadas e transformou o que viu em pequenos contos médicos. O livro reúne mais de vinte desses casos, todos sobre cérebros que falham de jeitos estranhos.
A ideia de fundo é simples e incômoda. A neurologia da época media o que faltava na pessoa, e Sacks queria descrever também quem continuava ali. Para ele, o paciente é alguém com história, gosto e dignidade, não uma lista de sintomas numa ficha de hospital lotado.
O livro se divide em quatro partes: perdas, excessos, transportes e o mundo dos simples. Perdas são funções que somem. Excessos são funções que disparam demais. Transportes são viagens involuntárias a lembranças e visões. E o mundo dos simples fala de pessoas com deficiência intelectual.
