15 minutos
Capa do resumo de Mulheres, raça e classe

Economia e sociedade · 15 min

Mulheres, raça e classe

Angela Davis · 1981

Para quem é

Pra você que quer entender como racismo, desigualdade de classe e machismo se combinam na história e no presente. Serve também pra quem estuda ou milita em causas sociais e quer ouvir vozes que costumam ficar de fora.

Ler e ouvir no app

⚡ Grátis pra baixar • 🎁 1 livro grátis por dia

🎧 Grátis, sem cadastro: ouça o resumo completo aqui.

Ouça o resumo completo (17 min)

Quer o texto acompanhando o áudio, o quiz e as Jornadas? Baixe o app

3 ideias pra levar

1

Uma conquista que beneficia só um grupo pode deixar de fora as pessoas que mais precisavam dela.

2

Para a autora, o direito de decidir sobre ter filhos só é completo quando ninguém é forçado nem a ter nem a não ter.

3

Trabalho que acontece dentro de casa e não recebe nome nem salário continua pesando mais sobre as mulheres.

“
A mulher frágil não foi o retrato de todas as mulheres, só das que podiam ficar em casa.
Uma ideia de Mulheres, raça e classe, nas palavras do 15 minutos

Prévia

Comece a ler agora

Um livro que junta três categorias que a história separou

Quando Angela Davis publicou Mulheres, Raça e Classe, em 1981, o debate feminista nos Estados Unidos já era intenso, mas muitas vezes tratava a mulher como se fosse uma categoria única e igual para todas. A autora olha para esse retrato e pergunta: igual para quem? A experiência de uma mulher branca de classe média nunca foi a mesma de uma mulher negra trabalhadora.

A tese do livro é que gênero, raça e classe se entrelaçam e que não dá para entender a história das lutas das mulheres sem enxergar essa mistura. Anos depois, a palavra interseccionalidade passou a nomear essa ideia no debate acadêmico, e a obra de Davis é muito citada como um dos marcos que a prepararam.

O livro é uma história crítica do movimento de mulheres nos Estados Unidos, da escravidão aos anos 1970. Em vez de contar só as vitórias, ele mostra onde o movimento falhou com as mulheres negras e pobres, e o que isso custou a todas.

Ler o livro hoje exige lembrar que ele foi escrito há mais de quarenta anos. Ainda assim, muitas perguntas que Davis faz continuam vivas, como quem cuida, quem é pago para cuidar e quem decide nos espaços de poder.

A escravidão e o outro modelo de feminilidade

O primeiro capítulo parte da escravidão, e o argumento é incômodo. No século XIX circulava a imagem da mulher frágil, dona do lar, protegida do trabalho pesado. Para as mulheres escravizadas, essa imagem nunca existiu. Elas trabalhavam nas lavouras ao lado dos homens, sob a mesma exploração e o mesmo castigo.

Davis mostra também que a violência sexual funcionava como instrumento de dominação. As mulheres escravizadas eram vulneráveis ao abuso de seus senhores, e isso fazia parte do sistema, não era exceção. Ao mesmo tempo, o papel delas na vida doméstica das senzalas, cuidando da família e da comunidade, ganhava importância especial, porque era um trabalho feito para os seus e não só para o dono.

A autora lembra que essas mulheres também resistiram, por meio de sabotagem, fugas, rebeliões e da preservação de laços familiares. A história delas, diz o livro, ajuda a enxergar um modelo de força que a imagem da fragilidade feminina apagava.

Abolicionismo e o nascimento da luta por direitos

O movimento pelos direitos das mulheres nos Estados Unidos nasceu junto com o abolicionismo, a luta contra a escravidão. Muitas mulheres brancas que militavam contra a escravidão perceberam que, se podiam falar contra a opressão dos negros, também deviam discutir a própria falta de direitos. A convenção de Seneca Falls, em 1848, é o marco mais lembrado.

Davis chama atenção para figuras que unem as duas lutas. Sojourner Truth, ex-escravizada que falava em reuniões, questionou a ideia de que mulheres eram frágeis demais para votar. Sarah e Angelina Grimké, nascidas em família escravocrata, romperam com ela e atuaram contra o sistema. Para a autora, nesse começo havia potencial de uma aliança forte.

O problema é que essa aliança foi frágil. As mulheres brancas, em geral, tinham mais acesso a espaços de decisão do que as negras, e o movimento tendia a seguir a agenda das mais escolarizadas e abastadas, deixando de fora as que mais precisavam.

A autora lembra que o abolicionista Frederick Douglass apoiou a presença das mulheres na convenção de Seneca Falls, o que mostra que a aproximação entre as lutas era possível e tinha defensores.

Faltam 10 seções e o quiz

Continue no app

Leia o resumo inteiro com o texto acompanhando a narração, feche com o quiz de Mulheres, raça e classe e siga pelas Jornadas guiadas. Sem anúncios no app.

Vai ouvir o resumo?🎧 Fone sem fio a partir de R$ 20

Sobre Angela Davis

Angela Davis é filósofa, professora e ativista americana, nascida em 1944 em Birmingham, no Alabama. Foi ligada ao movimento negro e ao Partido Comunista, e em 1970 foi presa em um caso de grande repercussão, do qual foi absolvida em 1972. Atuou como professora na Universidade da Califórnia em Santa Cruz. Escreveu ainda sobre o sistema prisional americano e sobre a abolição das prisões.

Explore

Faz parte das Jornadas:
Vozes contra a injustiça