Um livro que junta três categorias que a história separou
Quando Angela Davis publicou Mulheres, Raça e Classe, em 1981, o debate feminista nos Estados Unidos já era intenso, mas muitas vezes tratava a mulher como se fosse uma categoria única e igual para todas. A autora olha para esse retrato e pergunta: igual para quem? A experiência de uma mulher branca de classe média nunca foi a mesma de uma mulher negra trabalhadora.
A tese do livro é que gênero, raça e classe se entrelaçam e que não dá para entender a história das lutas das mulheres sem enxergar essa mistura. Anos depois, a palavra interseccionalidade passou a nomear essa ideia no debate acadêmico, e a obra de Davis é muito citada como um dos marcos que a prepararam.
O livro é uma história crítica do movimento de mulheres nos Estados Unidos, da escravidão aos anos 1970. Em vez de contar só as vitórias, ele mostra onde o movimento falhou com as mulheres negras e pobres, e o que isso custou a todas.
Ler o livro hoje exige lembrar que ele foi escrito há mais de quarenta anos. Ainda assim, muitas perguntas que Davis faz continuam vivas, como quem cuida, quem é pago para cuidar e quem decide nos espaços de poder.
