De Londres para um fim de mundo na Jutlândia
A premissa do livro é simples e meio maluca. Helen Russell, jornalista britânica com carreira de revista em Londres, vê o marido receber uma proposta de emprego na Lego e topa largar a vida corrida da capital inglesa para morar em Billund, uma cidade pequena no interior da Dinamarca. Ela deixa o ritmo de redação, os amigos e o conforto do conhecido, e vai parar num lugar onde o maior assunto parece ser o tempo.
Como boa repórter, ela transforma o susto em pergunta: se os dinamarqueses aparecem tantas vezes no topo dos rankings internacionais de felicidade, o que eles sabem que o resto do mundo não sabe? O plano é viver um ano inteiro lá, mês a mês, observando, errando e anotando. O livro é o diário dessa experiência, narrado com humor e sem pose de especialista.
Pense em alguém que se muda de São Paulo para uma cidade de interior em outro estado, sem conhecer ninguém, e resolve descobrir por que o pessoal de lá parece tão tranquilo. O estranhamento rende piada, mas rende também comparação honesta com a vida de antes. É essa mistura de curiosidade e desconforto que segura a leitura.
