15 minutos
Capa do resumo de Por Que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas

Economia e sociedade · 15 min

Por Que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas

Melanie Joy · 2010

Para quem é

Pra você que gosta de refletir sobre hábitos que parecem óbvios e quer entender como a mente lida com contradições. Serve a quem tem curiosidade sobre alimentação, ética e psicologia social, mesmo sem concordar com a autora.

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3 ideias pra levar

1

Segundo o livro, palavras como carne e lote ajudam a mente a esquecer que ali existe um indivíduo com experiência própria.

2

Segundo o livro, a distância entre a criação dos animais e a bandeja no mercado ajuda a manter o desconforto longe da consciência.

3

Quando valores e comportamentos entram em conflito, a mente tende a mudar a percepção antes de mudar o hábito, e esse é o ponto central da tese.

“
O que a gente sente como instinto moral pode ser, em boa parte, costume que aprendemos sem perceber.
Uma ideia de Por Que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas, nas palavras do 15 minutos

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A pergunta que quase ninguém faz

Você tem um cachorro em casa e talvez já tenha chorado quando ele ficou doente. No almoço, pode ser que o prato tenha carne de porco, um bicho que, como a autora lembra, sente dor, cria vínculos e tem personalidade, de um jeito comparável ao de muitos cães. A psicóloga Melanie Joy parte dessa contradição para perguntar por que tratamos animais tão parecidos de maneiras tão opostas.

O livro não nasce de uma discussão sobre receitas, e sim sobre psicologia social. A autora quer entender como pessoas boas, que não gostariam de causar sofrimento desnecessário, conseguem participar de práticas que fazem exatamente isso, sem sentir grande desconforto. A resposta, para ela, está num sistema de crenças que raramente é chamado pelo nome.

Ela batiza esse sistema de carnismo, e o resto do livro é uma tentativa de torná-lo visível. A premissa é que só quem enxerga uma ideologia consegue escolher se quer ou não segui-la.

Para sentir o estranhamento que ela busca provocar, imagine o contrário: um jantar em que o prato principal fosse feito com a carne de um cachorro como o seu. A reação de repulsa mostra que a nossa linha entre comer e não comer vem de algum lugar, e o livro quer justamente investigar de onde.

O que a autora chama de carnismo

Carnismo é o termo que Joy usa para o sistema de crenças que leva pessoas a comer certos animais e não outros, como se isso fosse natural e dispensasse reflexão. A palavra segue a lógica de vegetarianismo: assim como existe um nome para quem decide não comer carne, ela propõe um nome para a ideologia que faz da carne o padrão.

Segundo o livro, quando um comportamento é tão comum que parece óbvio, ele deixa de ser visto como uma escolha. Comer carne é tratado como o jeito de viver, e quem decide fugir da regra é que precisa se justificar. Esse apagamento da escolha é o que permite que a prática siga sem questionamento.

A autora faz uma comparação com outras ideologias dominantes que foram invisíveis por muito tempo, como certas formas de preconceito. A comparação é polêmica, e voltaremos a ela na seção de críticas, mas ajuda a entender o argumento: um sistema se mantém mais forte quando ninguém percebe que ele existe.

Cães, porcos e vacas: regras que mudam de cultura

Um dos argumentos mais didáticos do livro é o da variação cultural. No Brasil, a maioria acha chocante comer cachorro, mas encara um churrasco como momento de alegria. Em outros países, a lógica se inverte. Para muitos hindus, a vaca é sagrada. Em tradições judaicas e muçulmanas, o porco é proibido. Em alguns lugares da Ásia, comer carne de cão faz parte da cultura alimentar.

Se a biologia desses animais não explica a diferença, o que explica? Para Joy, a resposta é cultural e psicológica: aprendemos desde pequenos a classificar certos bichos como companhia e outros como alimento, e essa classificação passa a parecer natural. Ela não nasce de uma verdade sobre o animal, e sim de um costume.

O exemplo ajuda a mostrar que o que sentimos como instinto moral pode ser, em boa parte, treinamento social. Quando mudamos de país, descobrimos que a nossa repulsa e o nosso apetite são mais flexíveis do que pensávamos.

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Sobre Melanie Joy

Melanie Joy é psicóloga social americana e professora de psicologia e sociologia na Universidade de Massachusetts, em Boston. Foi quem popularizou o termo carnismo, ligado à sua atuação como ativista pelos direitos dos animais. É fundadora da organização Beyond Carnism. O livro foi publicado nos Estados Unidos em 2010.

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