A pergunta que quase ninguém faz
Você tem um cachorro em casa e talvez já tenha chorado quando ele ficou doente. No almoço, pode ser que o prato tenha carne de porco, um bicho que, como a autora lembra, sente dor, cria vínculos e tem personalidade, de um jeito comparável ao de muitos cães. A psicóloga Melanie Joy parte dessa contradição para perguntar por que tratamos animais tão parecidos de maneiras tão opostas.
O livro não nasce de uma discussão sobre receitas, e sim sobre psicologia social. A autora quer entender como pessoas boas, que não gostariam de causar sofrimento desnecessário, conseguem participar de práticas que fazem exatamente isso, sem sentir grande desconforto. A resposta, para ela, está num sistema de crenças que raramente é chamado pelo nome.
Ela batiza esse sistema de carnismo, e o resto do livro é uma tentativa de torná-lo visível. A premissa é que só quem enxerga uma ideologia consegue escolher se quer ou não segui-la.
Para sentir o estranhamento que ela busca provocar, imagine o contrário: um jantar em que o prato principal fosse feito com a carne de um cachorro como o seu. A reação de repulsa mostra que a nossa linha entre comer e não comer vem de algum lugar, e o livro quer justamente investigar de onde.
