15 minutos
Capa do resumo de Macunaíma

Ficção · 15 min

Macunaíma

Mário de Andrade · 1928

Para quem é

Pra você que quer conhecer o enredo e o sentido de um dos livros mais importantes e estranhos da literatura brasileira, antes de ler o texto original ou depois dele. Serve a estudantes, vestibulandos e curiosos.

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3 ideias pra levar

1

O muiraquitã é a pedra verde que Ci deixa ao herói, e a busca por ela move a aventura até o fim.

2

A cena do banho na pegada mágica brinca com a mistura de raças no Brasil e com a desigualdade ligada à cor.

3

A carta às Icamiabas imita o português pomposo dos doutores para criticar a distância entre a escrita culta e a fala do povo.

“
Um herói sem nenhum caráter é aquele que muda de forma conforme a conveniência, e muita gente se reconhece nele.
Uma ideia de Macunaíma, nas palavras do 15 minutos

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Um herói que não é herói de verdade

Macunaíma, publicado por Mário de Andrade em 1928, é um dos livros mais estranhos e mais importantes da literatura brasileira. O subtítulo avisa: o herói sem nenhum caráter. Isso não quer dizer que ele seja um sujeito sem moral, e sim alguém sem uma identidade fixa, que muda de forma, de humor e de jeito conforme a conveniência. Quem espera um romance tradicional, com começo, meio e fim organizados, vai estranhar, e isso faz parte da proposta.

O livro foi chamado pelo autor de rapsódia, palavra que lembra uma colcha de retalhos de cantos e histórias. Ele reuniu lendas indígenas, causos populares, falas regionais, anedotas urbanas e referências à vida moderna, e costurou tudo em uma aventura que vai da floresta amazônica a São Paulo e volta.

Mário escreveu a primeira versão em poucos dias, em 1926, durante uma temporada de descanso no interior paulista. Depois a revisou até chegar ao texto final. Ele se baseou muito em lendas coletadas por um etnógrafo alemão, Theodor Koch-Grünberg, entre povos do norte da América do Sul.

A obra é de domínio público no Brasil, e este resumo conta o enredo completo, inclusive o final.

Nasce o menino que só fala preguiça

A história começa no fundo da mata virgem, às margens de um rio. Ali nasce Macunaíma, filho da noite, um menino negro que passa seis anos sem dizer palavra. Quando enfim fala, suas primeiras palavras são um lamento de preguiça. A frase vira marca registrada: sempre que há trabalho, ele foge dele. A cena tem humor e ao mesmo tempo mostra o menino como alguém que desafia a ordem de uma sociedade baseada no trabalho.

A família é composta pela mãe e por dois irmãos mais velhos. Maanape, o mais velho, é feiticeiro. Jiguê, o do meio, é forte e trabalhador. Macunaíma, o caçula, é esperto, mentiroso, bom de lábia, e adora brincadeira e comida.

Ele vive aprontando. Engana a mãe, se aproveita dos irmãos, e quando cresce, já transformado em adulto de corpo, passa a seduzir mulheres de todos os tipos, inclusive a esposa de Jiguê. A cada travessura, a sorte parece ajudá-lo mais do que o castigo.

Esse tipo de personagem é o trapaceiro, que aparece em muitas culturas: faz maldades, mas também diverte e desmascara hipocrisias.

Ci, a Mãe do Mato, e a pedra verde

Em uma de suas andanças, Macunaíma encontra Ci, a Mãe do Mato, rainha das Icamiabas, mulheres guerreiras que vivem sem homens. Ele a conquista e é feito imperador da floresta. O casal tem um filho, mas a criança morre ainda bebê, e a dor mergulha Ci em tristeza. A rainha e o herói formam um casal improvável, ela guerreira e séria, ele brincalhão e inconstante.

Ci então sobe ao céu transformada em estrela. Antes de partir, deixa a Macunaíma um amuleto, o muiraquitã, pedra verde de grande valor simbólico, ligada à sorte e à memória dela. É o objeto que move o enredo.

Pouco depois, o herói perde o amuleto. A partir daí, tudo o que ele quer é recuperá-lo, o que o faz abandonar a floresta e partir em viagem com os irmãos para o sul.

Esse momento mistura amor, luto e perda, e dá ao livro um sentimento de nostalgia que contrasta com o humor do resto.

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Sobre Mário de Andrade

Mário de Andrade nasceu em São Paulo, em 1893, e morreu em 1945. Foi poeta, romancista, crítico e pesquisador da cultura popular, e um dos líderes do modernismo brasileiro. Participou da Semana de Arte Moderna de 1922 e escreveu Pauliceia Desvairada. Macunaíma foi publicado em 1928.

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Categoria:
Ficção
Faz parte das Jornadas:
Literatura brasileira