Um herói que não é herói de verdade
Macunaíma, publicado por Mário de Andrade em 1928, é um dos livros mais estranhos e mais importantes da literatura brasileira. O subtítulo avisa: o herói sem nenhum caráter. Isso não quer dizer que ele seja um sujeito sem moral, e sim alguém sem uma identidade fixa, que muda de forma, de humor e de jeito conforme a conveniência. Quem espera um romance tradicional, com começo, meio e fim organizados, vai estranhar, e isso faz parte da proposta.
O livro foi chamado pelo autor de rapsódia, palavra que lembra uma colcha de retalhos de cantos e histórias. Ele reuniu lendas indígenas, causos populares, falas regionais, anedotas urbanas e referências à vida moderna, e costurou tudo em uma aventura que vai da floresta amazônica a São Paulo e volta.
Mário escreveu a primeira versão em poucos dias, em 1926, durante uma temporada de descanso no interior paulista. Depois a revisou até chegar ao texto final. Ele se baseou muito em lendas coletadas por um etnógrafo alemão, Theodor Koch-Grünberg, entre povos do norte da América do Sul.
A obra é de domínio público no Brasil, e este resumo conta o enredo completo, inclusive o final.
