Um velho conversa com um visitante
O romance não tem capítulos nem pausas para respirar: é uma fala única e longa. Riobaldo, um fazendeiro já maduro no interior de Minas e do norte do estado, recebe um homem letrado da cidade e começa a contar a vida inteira para ele. Esse visitante quase nunca responde. Só sabemos que ele escuta, porque o narrador o chama de senhor e vai pedindo que compreenda.
O que Riobaldo conta é a sua passagem pelo mundo dos jagunços, homens armados que serviam a chefes e lutavam em bandos pelo sertão. Mas ele não narra em linha reta. Volta atrás, interrompe, se corrige, deixa um assunto pela metade e o retoma muito depois, como faz qualquer pessoa que revive um assunto doloroso.
Logo se entende que o motivo da conversa é uma dúvida que o consome há décadas. Riobaldo quer saber se o diabo existe, se ele mesmo fez um pacto, e o que aquela época fez dele. Contar tudo é a maneira que encontrou de olhar de frente para aquilo.
