15 minutos
Capa do resumo de Grande Sertão: Veredas

Ficção · 15 min

Grande Sertão: Veredas

João Guimarães Rosa · 1956

Para quem é

Pra quem quer encarar um clássico da literatura brasileira, aceita a leitura lenta e gosta de histórias sobre dúvida, amor e destino. Também serve a quem já tentou e desistiu na primeira página.

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3 ideias pra levar

1

O diabo do livro pode ser lido como o lado de dentro da pessoa, aquela vontade de poder que se disfarça de coragem.

2

Quando a linguagem foge do padrão, o leitor aprende a ouvir antes de entender, e isso treina uma atenção que a pressa não dá.

3

A revelação final sobre Diadorim lembra que o que escondemos por proteção pode cobrar o preço da solidão de quem nos ama.

“
Quem conta a própria vida para um estranho costuma descobrir que a pergunta de verdade não era a que ele fez no começo.
Uma ideia de Grande Sertão: Veredas, nas palavras do 15 minutos

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Um velho conversa com um visitante

O romance não tem capítulos nem pausas para respirar: é uma fala única e longa. Riobaldo, um fazendeiro já maduro no interior de Minas e do norte do estado, recebe um homem letrado da cidade e começa a contar a vida inteira para ele. Esse visitante quase nunca responde. Só sabemos que ele escuta, porque o narrador o chama de senhor e vai pedindo que compreenda.

O que Riobaldo conta é a sua passagem pelo mundo dos jagunços, homens armados que serviam a chefes e lutavam em bandos pelo sertão. Mas ele não narra em linha reta. Volta atrás, interrompe, se corrige, deixa um assunto pela metade e o retoma muito depois, como faz qualquer pessoa que revive um assunto doloroso.

Logo se entende que o motivo da conversa é uma dúvida que o consome há décadas. Riobaldo quer saber se o diabo existe, se ele mesmo fez um pacto, e o que aquela época fez dele. Contar tudo é a maneira que encontrou de olhar de frente para aquilo.

O menino do rio e o primeiro encontro

A história começa na infância. Riobaldo é filho de uma mulher pobre, criado com a proteção de um padrinho fazendeiro. Um dia, ainda menino, atravessa o rio São Francisco numa canoa ao lado de outro garoto, de olhar sério e belo, que o desafia a vencer o medo da água. É um instante breve, mas se grava para sempre.

Aquele menino reaparece anos depois, já adulto, entre os homens de um bando. Chama-se Reinaldo, e logo ganha o apelido de Diadorim. Riobaldo reconhece nele o garoto da travessia, e a amizade que nasce ali é a espinha emocional do livro inteiro.

A relação entre os dois é feita de admiração, silêncio e uma atração que Riobaldo não sabe nomear. Ele sente culpa, confusão, vontade de ficar perto e medo do que isso significa. O sertão do livro é um lugar de armas e de bravura, e esse sentimento não tem lugar fácil nele.

Entrando para o bando

Riobaldo vira jagunço quase por acaso, passando de uma situação a outra até estar no meio de homens que vivem pela lei do mais forte. Aprende a atirar tão bem que ganha o apelido de Tatarana, nome de uma lagarta que queima ao toque. É respeitado, mas também desconfiado, porque sabe ler e escrever, o que o distingue dos demais.

O mundo dos bandos é cheio de lealdades pessoais. Os jagunços obedecem a chefes famosos, como Joca Ramiro, um homem de prestígio quase mítico, que impõe respeito e é visto como justo. Quando ele aparece, o bando se endireita. Seu retrato é o de um líder carismático que os homens seguiriam por convicção, não só por medo.

Na companhia desses homens, Riobaldo vê de perto o que o sertão exige: marchas intermináveis, emboscadas, fome, brigas de honra e o peso de nunca saber quem é amigo. O livro mostra esse cotidiano com detalhe, mas sem glamour fácil.

Faltam 10 seções e o quiz

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Sobre João Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 1908. Formou-se em medicina e depois seguiu carreira diplomática. Publicou Sagarana em 1946 e Grande sertão: veredas em 1956, obras que transformaram a literatura brasileira. Morreu em 1967, pouco depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras.

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Categoria:
Ficção
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