A noite suburbana e o culto da ultraviolência
Em um futuro sombrio e opressivo dominado pela apatia social e pelo controle burocrático, gangues juvenis tomam conta das ruas escuras após o cair da noite. O jovem Alex, um adolescente de quinze anos com inteligência refinada e apetite insaciável por destruição, lidera um pequeno bando de amigos que frequentam o Korova Milkbar para ingerir leite batido com estimulantes químicos e planejar os ataques da madrugada.
Com uma prosa hipnótica pontuada pelo linguajar nadsat, uma engenhosa gíria criada pelo autor que mistura raízes eslavas ao inglês coloquial, o livro nos insere na mente de um protagonista fascinante e assustador. Alex comete atos de extrema barbárie com leveza assombrosa, invadindo lares, espancando idosos desamparados e confrontando grupos rivais sem qualquer sombra de remorso.
O elemento mais desconcertante na personalidade de Alex é o seu amor arrebatador pela música clássica. Enquanto descarrega fúria contra inocentes, sua mente vibra ao som das sinfonias de Ludwig van Beethoven, demonstrando com crueza que o apreço pela alta cultura e pelo refinamento estético não transforma automaticamente um ser humano em alguém bondoso ou compassivo.
