15 minutos
Capa do resumo de A Escrava Isaura

Ficção · 15 min

A Escrava Isaura

Bernardo Guimarães · 1875

Para quem é

Pra quem quer entender, por dentro de uma história, como era a vida de uma pessoa escravizada no Brasil do século 19 e por que esse romance virou um dos maiores fenômenos da televisão brasileira. Serve também pra quem já viu a novela e nunca leu o livro que a originou.

Ler e ouvir no app

⚡ Grátis pra baixar • 🎁 7 dias grátis • depois R$ 2,99/mês

🎧 Grátis aqui no site

Ouça o resumo completo (15 min)

Quer o texto acompanhando o áudio, o quiz e as Jornadas? Baixe o app

3 ideias pra levar

1

Para continuar viva e livre, Isaura precisou virar Elvira: sobreviver, no romance, pedia apagar o próprio nome.

2

A fórmula de vilão cruel e final feliz que fez sucesso no folhetim de 1875 repetiu o resultado quase cem anos depois, quando a novela de 1976 conquistou público fora do Brasil.

3

No romance, a escravidão se resolve pela generosidade de um homem rico e branco, não por um direito coletivo das pessoas escravizadas.

“
Isaura foi educada com esmero para ser dama e continuou sendo, perante a lei, propriedade de outra pessoa.
Uma ideia de A Escrava Isaura, nas palavras do 15 minutos

Prévia

Comece a ler agora

Um romance escrito para doer

Este resumo conta a história de A Escrava Isaura do começo ao fim, incluindo o final. Se você quer surpresa, guarde este resumo pra depois de ler o livro ou assistir à novela. Bernardo Guimarães escreveu o romance em 1875, treze anos antes de a escravidão ser abolida no Brasil, e publicou a história primeiro em folhetim, aos poucos, dentro de um jornal, antes de virar livro.

O tom é de melodrama puro: vilão cruel, heroína perfeita, amor impossível, final feliz que chega quase por milagre. É assim que o romantismo brasileiro do século 19 gostava de contar história, com emoção no talo e pouca sutileza. Isso não diminui a importância do livro: ele ajudou a colocar a violência da escravidão dentro da sala de visitas de leitores que nunca tinham posto os pés numa fazenda, num momento em que boa parte do público leitor preferia não pensar no assunto.

A história se passa numa fazenda perto de Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, numa época em que existia no Brasil, por lei, gente que podia ser comprada, vendida e castigada como objeto. É esse pano de fundo real que dá peso à história inventada de Isaura.

A fazenda de Campos dos Goytacazes e a escrava criada como sinhazinha

Isaura nasce escrava, mas cresce dentro da casa grande, não na senzala. A sinhá da fazenda a cria como se fosse filha, ensina ela a ler, a falar outra língua, a tocar piano e a se comportar como uma sinhazinha, uma menina de família rica. Isaura aprende tudo isso rápido e vira, aos olhos de quem a conhece, mais refinada que muitas moças brancas da região.

Esse refinamento é também uma pele de dois gumes. Ele aproxima Isaura, na cabeça do leitor de 1875, de uma heroína de romance comum, e é esse mesmo refinamento que vai despertar o desejo doentio do futuro dono dela. Educação, nesse romance, não liberta: ela deixa a jaula mais bonita, mas continua sendo jaula.

Fisicamente, Isaura é descrita como quase branca, de feição fina, o que na lógica do livro reforça a comoção do leitor da época. É um detalhe que volta com força na seção de crítica mais à frente, porque diz muito sobre para quem esse tipo de romance abolicionista falava.

Miguel, o feitor português, e a origem de Isaura

A mãe de Isaura foi escravizada na mesma fazenda. O pai dela é Miguel, um português que trabalhava ali como feitor, o funcionário responsável por vigiar e cobrar o trabalho das pessoas escravizadas no campo. Dessa relação, marcada por toda a desigualdade de poder entre um feitor livre e uma mulher escravizada, nasce Isaura.

Miguel, ao longo da história, tenta comprar a alforria da filha, o ato que daria a ela a liberdade legal. Ele já não é pobre como antes e junta dinheiro pra essa negociação, mas esbarra na recusa do senhor da fazenda, que não tem interesse nenhum em deixar Isaura ir embora.

Esse é um dos primeiros sinais do livro de que, debaixo da escravidão, nem dinheiro nem parentesco garantiam nada: a liberdade de uma pessoa dependia inteiramente da vontade de quem a possuía como propriedade. Miguel volta a insistir nesse pedido em outros momentos da história, e cada recusa deixa mais claro que a relação entre pai e filha não tem peso nenhum diante da lei da época.

Faltam 11 seções e o quiz

Continue no app

Leia o resumo inteiro com o texto acompanhando a narração, feche com o quiz de A Escrava Isaura e siga pelas Jornadas guiadas. Sem anúncios no app.

Sobre Bernardo Guimarães

Bernardo Guimarães nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, em 1825, e morreu em 1884, ainda em Minas Gerais. Foi poeta e romancista ligado ao romantismo brasileiro, autor também do poema narrativo O Ermitão de Muquém. Publicou A Escrava Isaura em 1875, treze anos antes da abolição da escravidão no Brasil, em 1888, que ele não chegou a ver. O livro é hoje um clássico de domínio público, adaptado várias vezes para o cinema e a televisão.