Moscou, um trem e uma família à beira do naufrágio
A história começa com a casa dos Oblónski virada de cabeça pra baixo: Stiva, irmão de Anna, foi flagrado pela esposa Dolly numa traição com a governanta das crianças. A casa vive dias de tensão, com os filhos sentindo o clima sem entender o motivo e os criados evitando o corredor onde Dolly chora sozinha.
Anna Kariênina viaja de Petersburgo até Moscou a pedido do irmão, decidida a reconciliar o casal. Ela chega serena, do tipo de mulher que entra numa sala e organiza a bagunça emocional alheia só de conversar com calma. Ninguém ali imagina que a mesma Anna que resolve o casamento do irmão está prestes a incendiar o próprio.
Dolly cede e aceita seguir casada, engolindo a mágoa por causa dos filhos e da falta de alternativa prática pra uma mulher da época. O livro já deixa claro, nesse primeiro capítulo, que perdoar em nome da família cobra um preço, e cada personagem paga o dele de um jeito diferente ao longo da história.
