Um mundo vigiado o tempo todo
Em 1984, Londres não é mais capital da Inglaterra: é a Pista de Pouso Um, uma província da superpotência Oceania, país governado por um partido único que não aceita oposição nem discussão pública sobre suas decisões. Cartazes enormes, espalhados por corredores, escadas e ruas, mostram o rosto de um homem de bigode grosso, acompanhado do aviso de que ele está de olho em quem passa por ali.
Winston Smith é funcionário do Ministério da Verdade, o órgão que cuida da informação, da história e da cultura oficial do país. Ele mora sozinho, num apartamento pequeno e maltratado, comum entre os membros do Partido Externo, a classe média baixa dessa hierarquia oficial.
Dentro de casa, a teletela funciona como televisão e câmera ao mesmo tempo: transmite discursos e músicas o dia inteiro e, junto disso, capta som e imagem de volta pro governo, sem botão de desligar. É como se a sala de qualquer apartamento tivesse uma câmera de segurança ligada 24 horas, inclusive de madrugada, sem aviso nenhum de quando alguém do outro lado está assistindo. Essa vigilância constante é o pano de fundo de toda a história.
