15 minutos
Capa do resumo de Iracema

Ficção · 15 min

Iracema

José de Alencar · 1865

Para quem é

Pra quem já ouviu falar de Iracema na escola só como leitura de vestibular e nunca parou pra ler de verdade, ou quer entender por que essa história de 1865 ainda pesa tanto em prova e em debate sobre identidade brasileira.

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3 ideias pra levar

1

Toda nação recém-independente precisa inventar uma origem bonita pra contar sobre si mesma, e Alencar decidiu inventar a do Brasil.

2

Um livro pode amar de verdade uma cultura e, ao mesmo tempo, distorcer essa cultura pra caber num ideal europeu de beleza.

3

Histórias de fundação raramente sobrevivem sem que alguém pague um preço alto por elas, e em Iracema quem paga é sempre ela.

“
Um romance inteiro pode nascer da ideia de trocar as letras de um nome e descobrir ali o retrato de um continente.
Uma ideia de Iracema, nas palavras do 15 minutos

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Um projeto de nação escrito em forma de romance

Iracema saiu em 1865, quarenta e três anos depois da independência do Brasil, numa época em que o país praticamente não tinha uma mitologia própria pra contar sobre a própria origem. A Europa tinha a Ilíada, tinha a Eneida, tinha heróis fundadores cantados em verso havia séculos. O Brasil, recém-separado de Portugal, não tinha nada parecido, e José de Alencar decidiu resolver esse problema sozinho, com a própria caneta.

Isso não é força de expressão. Alencar fazia parte do romantismo, numa vertente chamada indianismo, que escolheu o indígena brasileiro pra ocupar o lugar do herói clássico europeu nas outras literaturas. Em vez de um herói fundando Roma, o Brasil ganhava uma lenda de amor fundando, em ficção, o território onde hoje fica o Ceará.

Vale ler Iracema sabendo disso desde a primeira página, não é só um romance de amor triste, é um projeto deliberado de dar identidade literária a um país jovem. O resto deste resumo conta a história em poucas seções, sem medo de contar o final, porque o que interessa de verdade aqui é o que esse projeto revela, e também o que ele esconde.

A história começa: Iracema e o encontro com Martim

Iracema é uma jovem guerreira da tribo tabajara, guardiã de um segredo sagrado ligado à jurema, bebida ritual da tribo. O livro abre com uma das frases mais conhecidas da literatura brasileira, 'Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.' Já nessa frase Alencar mistura paisagem, poesia e nascimento de um jeito que se repete o livro inteiro.

Martim é um guerreiro português aliado dos pitiguaras, povo inimigo dos tabajaras. Ele se perde numa mata durante um combate e é encontrado por Iracema, que o leva escondido até a própria taba, contrariando as regras de guerra entre os dois povos. Desse encontro nasce uma atração que vai romper regra atrás de regra.

É um começo quase de conto de fadas colonial, o estrangeiro perdido, salvo pela mulher local que se apaixona à primeira vista. Só que esse encontro carrega, dentro da própria trama, o choque entre dois mundos que a história real do Brasil nunca resolveu de forma tão poética.

O amor proibido e a fuga da taba

Pra ajudar Martim, Iracema quebra o segredo sagrado da jurema que era encarregada de guardar, um dos papéis mais importantes de uma mulher na tribo. A quebra tem consequência, ela perde o direito de continuar guardiã, e o amor por um estrangeiro custa caro dentro da própria comunidade.

Irapuã, guerreiro tabajara que também amava Iracema, não aceita a escolha dela e vira ameaça direta pro casal. O clima na taba fica insustentável, e Poti, guerreiro pitiguara amigo de Martim, ajuda os dois a fugir antes que o conflito vire tragédia ali mesmo.

A fuga leva Iracema pra longe de tudo que ela conhecia, família, função social, tribo inteira, em nome de um amor que a própria história vai cobrar caro dela até o fim. Eles se instalam à beira-mar, numa região que o livro liga, em ficção, ao nascimento futuro da cidade que seria Fortaleza.

Faltam 12 seções e o quiz

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Sobre José de Alencar

José de Alencar nasceu no Ceará em 1829 e morreu no Rio de Janeiro em 1877, sendo um dos principais nomes do romantismo brasileiro. Formado em Direito, atuou também como jornalista, político, deputado e, por um período, ministro da Justiça do Império. Escreveu romances urbanos, regionalistas e indianistas, e Iracema, publicado em 1865, integra a trilogia indianista ao lado de O Guarani e Ubirajara. É considerado, ao lado de Machado de Assis, um dos fundadores do romance brasileiro moderno.