15 minutos
Capa do resumo de O Gato de Botas

Ficção · 15 min

O Gato de Botas

Charles Perrault · 1697

Para quem é

Para quem quer reler com olhos de adulto o conto da infância, ou apresentar a história a crianças e discutir o que ela ensina sobre esperteza, aparência e ascensão social. Serve também a quem gosta de entender de onde vêm os clássicos dos contos de fadas.

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3 ideias pra levar

1

No conto, o herói quase não age: o ponto é que ter um aliado atento pode valer mais do que ter bens.

2

A vaidade do adversário pode ser a arma mais eficaz contra ele, e foi assim que o gato derrotou o ogro.

3

As duas morais de Perrault se contradizem de leve, e é essa tensão entre talento e figurino que mantém o conto vivo.

“
Receber menos que os outros na largada dói, mas isso sozinho não decide o resto da história.
Uma ideia de O Gato de Botas, nas palavras do 15 minutos

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Quem escreveu e de onde vem o gato

O Gato de Botas é um dos contos mais conhecidos da França, publicado em 1697 por Charles Perrault no livro Histórias ou contos do tempo passado, também chamado de Contos da Mamãe Gansa. Na época, Perrault era um intelectual respeitado da corte de Luís XIV, e os contos foram lançados com o nome do filho dele na capa, provavelmente para proteger a reputação do pai de escritor sério.

A história do gato esperto não nasceu com Perrault. Versões parecidas já circulavam na Itália, em coletâneas de Straparola e de Basile, e outras variantes corriam na tradição oral europeia. O que Perrault fez foi dar a ela um estilo elegante, um tom irônico e duas morais explícitas no final, de modo a agradar ao público da corte e, ao mesmo tempo, às crianças.

Este resumo conta o enredo completo, de ponta a ponta, inclusive o final, e depois comenta o que a história diz sobre esperteza, aparência e ascensão social. Como o texto de Perrault é de domínio público, podemos acompanhar a trama em detalhes, sempre com nossas palavras.

A herança injusta: moinho, burro e gato

A história começa com a morte de um moleiro. Ele deixa três filhos e três bens: o moinho, um burro e um gato. Nada de testamento complicado: o mais velho fica com o moinho, o do meio com o burro, e o caçula com o que sobra, o gato. A divisão é feita sem contestação, porque os irmãos acham tudo justo.

Os dois mais velhos ficam bem servidos. Com o moinho e o burro, podem trabalhar juntos e ganhar a vida. O caçula, sozinho com um bichano, pensa em voz alta que, depois de comer o gato e fazer um agasalho com a pele dele, vai morrer de fome. A cena é cômica, mas bem realista: o caçula é o herdeiro que a família esqueceu.

Imagine, no Brasil de hoje, três filhos de um dono de padaria. Um fica com o ponto, outro com a van de entrega, e o terceiro herda um aparelho de som velho. A pergunta do conto é o que alguém faz quando a divisão da herança, ou da vida, lhe dá menos que aos outros.

O gato fala e faz um pedido estranho

É então que o gato, que ouvia tudo, resolve falar. Ele pede ao dono que não se desespere: bastam um saco e um par de botas para andar pelo mato, e em breve o rapaz verá que a herança não é tão ruim quanto parece. O pedido é ousado, mas o rapaz o aceita.

O motivo da confiança é curioso. Perrault conta que o rapaz já tinha visto o gato fazer travessuras para caçar ratos e camundongos, como fingir de morto, pendurado pelas patas, ou se esconder na farinha. Quem tem esse tipo de esperteza, pensa o dono, talvez saiba ajudá-lo. É um detalhe que mostra como o conto valoriza a observação.

A cena também diz muito sobre o jeito do herói. Ele não tem talento especial, dinheiro nem prestígio, mas tem uma qualidade rara: dá crédito a quem demonstra capacidade, mesmo sendo um bicho. Em termos atuais, é o chefe que escuta o estagiário que propõe uma ideia diferente.

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Sobre Charles Perrault

Charles Perrault nasceu em Paris, em 1628, e morreu em 1703. Foi escritor e funcionário da corte de Luís XIV, e membro da Academia Francesa. Entrou para a história pelos contos reunidos em 1697, entre eles Cinderela, A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e O Barba Azul. Participou também da Querela dos Antigos e dos Modernos, em defesa dos autores de seu tempo.

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Categoria:
Ficção