O sinal que abre e o carro que não anda
A história começa num cruzamento qualquer, numa cidade que nunca é nomeada. O sinal fica verde, os carros avançam, e um deles não se mexe. O motorista, parado no meio da pista, avisa que não está enxergando. Mas não é escuridão: ele diz que vê tudo branco, como se estivesse mergulhado num mar de leite.
Um homem aparece pra ajudar, leva o cego até em casa, e logo rouba o carro dele. A esposa chega, preocupada, e leva o marido ao oftalmologista. Os exames não mostram nada de errado nos olhos. Nem a ciência nem o bom senso explicam o que aconteceu.
O livro de José Saramago nunca esclarece a causa da cegueira, e é de propósito. Ele não escreve ficção científica: escreve uma alegoria, uma história em que o impossível serve pra mostrar algo verdadeiro sobre as pessoas e sobre a sociedade.
