15 minutos
Capa do resumo de Ensaio sobre a Cegueira

Ficção · 15 min

Ensaio sobre a Cegueira

José Saramago · 1995

Para quem é

Pra quem gosta de romances que usam uma situação impossível pra falar de moral, poder e solidariedade. Contém cenas de violência, inclusive sexual, tratadas com sobriedade, e pede paciência com o estilo do autor.

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3 ideias pra levar

1

Quem controla um recurso essencial, como a comida, passa a mandar, e a organização coletiva é, na história, o contrapeso a esse poder.

2

Na visão pessimista do romance, a civilização depende de pequenos acordos cotidianos, e quando eles falham a distância até a violência pode ser curta.

3

Usar a cegueira como metáfora de falha moral é um recurso literário, que não retrata a vida de pessoas cegas, que estudam, trabalham e vivem com autonomia.

“
Quem enxerga num mundo em que quase ninguém enxerga recebe um dever, e não um privilégio.
Uma ideia de Ensaio sobre a Cegueira, nas palavras do 15 minutos

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O sinal que abre e o carro que não anda

A história começa num cruzamento qualquer, numa cidade que nunca é nomeada. O sinal fica verde, os carros avançam, e um deles não se mexe. O motorista, parado no meio da pista, avisa que não está enxergando. Mas não é escuridão: ele diz que vê tudo branco, como se estivesse mergulhado num mar de leite.

Um homem aparece pra ajudar, leva o cego até em casa, e logo rouba o carro dele. A esposa chega, preocupada, e leva o marido ao oftalmologista. Os exames não mostram nada de errado nos olhos. Nem a ciência nem o bom senso explicam o que aconteceu.

O livro de José Saramago nunca esclarece a causa da cegueira, e é de propósito. Ele não escreve ficção científica: escreve uma alegoria, uma história em que o impossível serve pra mostrar algo verdadeiro sobre as pessoas e sobre a sociedade.

A cegueira que contagia

A cegueira branca começa a se espalhar. O ladrão do carro fica cego, depois o oftalmologista que atendeu o primeiro homem, depois as pessoas que estavam na sala de espera do consultório: uma jovem de óculos escuros, um velho de venda preta no olho, um menino estrábico. Em pouco tempo, quem teve contato com eles também perde a visão.

O autor trata o fenômeno como contágio, e a reação do governo é a que se esperaria de um poder assustado: isolar. Antes de qualquer ajuda médica, vem a ordem de separar os doentes dos saudáveis. O medo aparece antes da compaixão, e a decisão é tomada por quem ainda enxerga, em nome de proteger a maioria.

A imagem é poderosa porque lembra epidemias reais. Quando uma doença nova surge, a primeira reação coletiva costuma ser procurar um culpado e afastar o contaminado, mesmo antes de entender o que está acontecendo.

A quarentena no antigo manicômio

Os primeiros cegos são levados a um manicômio desativado, transformado em espaço de quarentena. Soldados vigiam o lado de fora e têm ordem de não deixar ninguém sair. Quem tentar fugir é atingido a tiros. Quando mais pessoas ficam cegas, são enviadas pra lá, e o lugar começa a lotar.

O prédio é um símbolo de exclusão: um espaço que serviu pra esconder pessoas que a sociedade não queria ver. Agora os cegos são colocados ali, longe dos olhos de quem ainda enxerga, recebendo comida jogada por soldados que têm medo de se aproximar.

O romance mostra, desde as primeiras páginas, que quando as autoridades tratam as pessoas como problema a ser guardado, a dignidade se perde rápido. Não há médicos, não há explicações, só regras ditadas por alto-falante e a promessa de que tudo vai se resolver.

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Sobre José Saramago

José Saramago nasceu em 1922 em Azinhaga, em Portugal, e trabalhou como serralheiro, funcionário público e jornalista antes de se dedicar à literatura. Entre seus livros mais conhecidos estão Memorial do Convento e O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, três anos depois deste romance. Viveu seus últimos anos na ilha de Lanzarote, na Espanha, onde morreu em 2010.

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Categoria:
Ficção