Uma cidade, um trapiche e um bando de meninos
Capitães da Areia se passa em Salvador, na Bahia, nos anos trinta. A cidade aparece cheia de cor, de santos, de samba e de cheiro de mar, mas também de desigualdade e de abandono. No meio disso vive um grupo de meninos sem família, que ocupa um velho armazém abandonado, o trapiche, junto ao cais, e vive de pequenos roubos e de esperteza.
O nome do grupo vem das areias do porto, onde eles brincam e se escondem. São crianças e adolescentes de verdade, com fome, frio e medo, mas também com humor, valentia e lealdade. O livro os trata com ternura e dá a cada um personalidade, história e sonho, em vez de reduzi-los à palavra delinquente que a polícia e os jornais usavam.
A intenção do autor, Jorge Amado, é clara: mostrar que aquelas crianças são produto de uma sociedade que as largou. Não é uma desculpa para tudo o que fazem, e sim uma explicação de onde vêm.
