A transe de não ser suficiente
Tara Brach abre o livro com uma observação que muita gente reconhece: a sensação de que há algo errado com a gente. Não é um pensamento claro, é um pano de fundo. Um zumbido que diz 'poderia ser mais magro, mais calmo, mais produtivo, uma mãe melhor, um filho melhor'. Ela dá a isso o nome de transe da insuficiência.
Transe, porque funciona como hipnose: você olha o mundo por esse filtro sem perceber que há um filtro. Passa o dia comparando-se com o colega promovido, com a vizinha que parece ter tudo em ordem, com a versão ideal de si mesmo que nunca aparece. A cada falha, o zumbido ganha volume.
A tese é que esse transe é a raiz de muito sofrimento cotidiano: a autocrítica, a ansiedade de desempenho, o vício em agradar. E que sair dele não passa por consertar tudo, mas por aprender a olhar a própria experiência de outro jeito.
