Uma aposta com data marcada
Poucos autores aceitam colocar ano nas próprias previsões. Ray Kurzweil aceita. Em A Singularidade está mais próxima, ele sustenta que por volta de 2029 uma inteligência artificial vai se igualar a uma pessoa em tarefas gerais de linguagem e raciocínio, e que por volta de 2045 a fusão entre mente humana e máquina vai multiplicar a nossa inteligência de um jeito difícil de imaginar.
Esse segundo momento é o que ele chama de singularidade: o ponto a partir do qual o progresso fica tão rápido e profundo que a vida como conhecemos deixa de servir de régua para prever o que vem depois. A palavra vem da física e da matemática, onde designa um ponto em que as contas usuais deixam de funcionar.
O livro é a continuação de uma obra anterior do mesmo autor, de 2005, e funciona como uma prestação de contas: o que deu certo, o que ainda falta e por que ele continua apostando. Vale ler como uma tese a ser avaliada, e não como uma profecia a ser aceita.
