O problema que quase ninguém quer encarar
Stuart Russell é professor de ciência da computação e escreveu um dos manuais mais usados no mundo para ensinar inteligência artificial. Justamente por isso o livro dele tem peso: não é um jornalista assustado nem um filósofo de fim de mundo, é alguém que passou a vida construindo essas máquinas e resolveu avisar que o projeto básico da área tem um defeito sério.
A pergunta central é simples de enunciar e difícil de responder. O que acontece no dia em que criarmos máquinas mais capazes do que nós em quase tudo? Russell não se preocupa com robôs que acordam com raiva, como no cinema. Ele se preocupa com máquinas competentes demais obedecendo a um objetivo mal definido, e com a nossa dificuldade de apertar o botão de desligar depois que ela começa.
O livro tenta fazer duas coisas ao mesmo tempo: explicar de onde vem esse risco e propor um jeito diferente de projetar a tecnologia, para que ela continue do nosso lado. Por isso o título em português fala em inteligência artificial a nosso favor, e não contra.
